Produtores de maçã de Alcobaça querem replicar Alqueva no rio Tejo

De olhos no mercado externo, os fruticultores do oeste defendem um investimento de 500 milhões de euros em novos diques para armazenamento de água.

Os produtores de maçã de Alcobaça esperam este ano fixar um novo máximo de produção, mas o presidente da associação que os representa está preocupado com a escassez de água. Jorge Soares sugere a construção de represas no rio Tejo, com o objetivo de replicar o efeito do Alqueva no território alentejano.

Com novos pomares a serem instalados, o líder da Associação de Produtores da Maçã de Alcobaça aponta a disponibilidade de rega como um dos maiores desafios que se colocam aos fruticultores de 14 concelhos das regiões do Oeste e Leiria.

"Não temos água suficiente, muito menos água de superfície", afirma, para defender uma solução que pretende ir "buscar água ao Tejo" e fazer "do Oeste e do Ribatejo uma região equivalente ao Alqueva".

"No fundo, era fazer várias represas no Tejo. Está o desenho feito, é um investimento muito inferior a uma barragem do Alqueva, que custou 1.400 milhões de euros. Com 500 milhões, com um terço, faziam-se cinco diques dentro do leito do rio, não se alagavam terrenos, não se invadiam terrenos, era o próprio rio que servia de armazenamento, e com isso conseguia-se bombar a água para este território do Oeste, que tem a expressão que tem a nível agrícola", explica Jorge Soares.

Com 500 técnicos e agricultores com formação superior num universo de 2.500 profissionais, a maçã de Alcobaça baseia-se cada vez mais na aplicação de conhecimento e tecnologia.

Por outro lado, a ligação com a indústria tem permitido criar novos produtos, de que são exemplo a maçã fatiada, os sumos, as polpas e a fruta desidratada.

Depois de uma quebra na última campanha, a produção que vai sair dos pomares no próximo verão promete novos máximos históricos

"A nossa média dos últimos três anos foi da ordem dos 50 milhões de quilos e esperamos que esta campanha ultrapasse os 60 milhões de quilos, sem grandes dúvidas, não só pela recuperação do potencial produtivo dos pomares, mas também pelo acréscimo das áreas, que tem sido significativo, na região, e com pomares cada vez mais eficientes", estima o presidente da Associação dos Produtores de Maçã de Alcobaça.

Num setor que ocupa 600 empresas agrícolas e fatura 50 milhões de euros por ano, 25% além fronteiras, "o grande objetivo para a próxima campanha" é dar força ao clube de exportadores, com a maçã de Alcobaça a penetrar os mercados externos "com uma imagem e uma comunicação única", salienta Jorge Soares.

Brasil, Reino Unido, Médio Oriente e Angola são os maiores compradores, mas também a Índia já recebe maçã de Alcobaça, depois de aberto o mercado, no final do ano passado.

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