PSA Mangualde espera recorde de produção, mas há sinais de abrandamento

Diretor geral da segunda maior fábrica de automóveis do país identifica perigos para 2019. E lamenta custos da energia em Portugal.

"Entre o pior e o melhor cenário imaginamos uma produção entre 70 mil e 80 mil carros, se não houver qualquer catástrofe, como o Brexit ou outro problema macroeconómico que tenha forte impacto sobre a indústria, deveremos ultrapassar os 70 mil carros este ano", estima José Maria Castro, o diretor geral da PSA Peugeot Citröen de Mangualde, em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo.

As encomendas estão a correr bem no primeiro trimestre, "muito carregado de produção, porque os carros já estão disponíveis em quase todos os mercados", mas o gestor espanhol ressalva que "a produção automóvel vive uma situação incerta". Com a nova legislação para o CO2, "os clientes estão um pouco na expectativa e o mercado está flutuante, pelo que as nossas previsões são um pouco incertas", afirma.

O gestor confirma ainda que a desaceleração da economia mundial coloca desafios adicionais. "Começamos a sentir alguns sinais de abrandamento, nas últimas análises de planos de produção começamos a ver algumas hipóteses um pouco mais baixas do que imaginávamos", sublinha José Maria Castro.

Ligação ferroviária entre Aveiro e Mangualde está a demorar

A PSA de Mangualde continua à espera da ligação ferroviária a Aveiro, mas José Maria Castro não está muito confiante. "No nosso plano estratégico não estamos a trabalhar no tema, porque não temos a certeza de que este plano vai avançar", lamenta, apesar de reconhecer que a ligação ferroviária "agora está no plano de infraestruturas do Estado".

"Falamos disto há quase dez anos e não vemos que as coisas tenham avançado", recorda. "Esperamos que este projeto avance mas as coisas estão a demorar mais tempo do que previsto".

Preço da energia continua a tirar competitividade

Nesta entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo, José Maria Castro lamenta que os preços da energia continuem elevados em Portugal. Em 2014, o presidente executivo do grupo PSA Peugeot Citröen, o português Carlos Tavares, avisou que os custos com energia no país eram 40% mais elevados do que em França .

José Maria Castro explica que, desde então, "a situação foi parcialmente resolvida com a instalação de um centro de transformação de alta tensão para alimentar a fábrica, o que reduziu parcialmente o preço da energia", mas avisa que "Portugal continua a não ser competitivo" nesta matéria, porque "o custo da energia no custo de produção de um carro é elevado, de 10%".

"Isto faz com que tenhamos dificuldades permanentes na corrida pela competitividade", sublinha.

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