PSI-20. Quase 150 mexidas numa dança de cadeiras com 23 anos

O PSI-20 ganha três novos membros, ficando com 18. Desde o início, o índice teve quase 150 alterações. Banif e Teixeira Duarte são recordistas das entradas e saídas. Há poucas empresas com dimensão.

A partir desta segunda-feira, a Impresa e a Teixeira Duarte abandonam o PSI-20: as duas cotadas deixaram de satisfazer os requisitos de inclusão na primeira divisão da bolsa nacional, e vão para o índice geral. E há três cotadas que fazem o percurso inverso: a Corticeira Amorim, a Sonae Capital e o Montepio são promovidas ao principal índice bolsista nacional, que passa assim a ter 18 nomes, ainda abaixo das duas dezenas que lhe dão a designação.

Não há empresas suficientemente grandes para entrar

Nesta revisão há sintomas de dificuldades, argumenta João Lampreia. O analista do BIG sublinha que "as empresas que entram, tal como as que saíram, têm uma capitalização bolsista muito pequena". A Corticeira Amorim é a exceção, porque "vale quase 900 milhões de euros", mas por outro lado há "a Sonae Capital que vale pouco mais de 100 milhões. São empresas pequenas, tal como a Teixeira Duarte e a Impresa, que saem", afirma.

João Lampreia fica ainda surpreendido com a inclusão do fundo do Montepio: "é uma entidade um pouco híbrida, com o banco, a associação e o fundo. Acho que surge mais na lógica do varrimento que tivemos no sistema financeiro, com o BES e o Banif.". O especialista confessa que nas previsões sobre a revisão acreditava "que pudesse ser um nome como a Ibersol, que até podia fazer mais sentido numa lógica de diversificação sectorial do índice".

Desde 2014 com menos de 20 empresas

Desde meados de 2014 que o PSI-20 tem menos de 20 empresas. Na sequência do colapso do universo BES, os títulos da Espírito Santo Financial Group e do próprio Banco Espírito Santo foram retirados de bolsa, e nesse momento, o índice ficou reduzido a 18 empresas. Em dezembro de 2015, outra resolução - a do Banif - emagreceu a carteira do PSI-20 a 17 cotadas. Mesmo após várias revisões, o índice não voltou a ter as duas dezenas que constituíram a "normalidade" que existia desde 1993, ano de início da negociação do PSI-20. Portugal parece ter dificuldade em encontrar empresas suficientemente grandes para entrar no principal palco da bolsa.

Para João Lampreia, analista do banco BIG, essa dificuldade em selecionar empresas que permitam ter o índice completo, reflete o "país que temos, com 10 milhões de pessoas, em que o mercado de capitais não é pouco líquido". Até as "grandes empresas que já tivemos são hoje uma sombra do que eram - algumas até desapareceram do mapa. Isso não diz muito bem do nosso tecido económico", afirma. O analista sublinha, no entanto, que isso "não quer dizer que o futuro seja idêntico. Acredito que o mercado de capitais pode evoluir no bom sentido no médio e longo prazo".

Sete mexidas por ano

Ou melhor: 6,5. É esta a média observada desde o início do índice, que teve uma primeira década mais volátil: nos dois primeiros anos houve, no total, 10 entradas e outras tantas saídas. Em 1995 foi batido o recorde de alterações na composição: Entre inclusões e exclusões houve 18 alterações da lista. A partir do ano 2000, as substituições começaram a abrandar, atingindo um mínimo de zero em 2009. E em 2015 só houve uma saída: a do Banif, que na história do índice é o recordista (ex-aequo) de entradas e saídas: os títulos do antigo banco entraram no PSI-20 por cinco vezes e foram excluídos outras cinco - a última das quais foi definitiva. O outro lugar do topo do pódio é ocupado pela Teixeira Duarte, que na última sexta-feira voltou a sair. Logo de seguida surge a Novabase, com quatro entradas e quatro saídas.

As regras da dança das cadeiras

A composição do PSI-20 é revista a cada três meses. Verificam-se critérios de inclusão e exclusão, que, quando preenchidos, levam a uma revisão da lista de constituintes.

Para que uma empresa seja incluída, a sua capitalização bolsista (o capital que a empresa tem disperso em bolsa) tem de ser superior a 15% do total e simultaneamente atingir, pelo menos, 100 milhões de euros. O volume de transações também é tido em conta: no limite, uma empresa que preencha o critério do capital disperso mas cujas ações sejam pouco transacionadas pode ficar de fora. São selecionadas as cotadas que tiverem as melhores classificações nestes critérios.

Uma evolução "triste"

A evolução histórica do principal índice nacional mostra um cenário de perda de valor. As duas crises económicas mais recentes (a primeira no início do século e a segunda iniciada em 2008 com a queda do Lehman Brothers e a crise das dívidas soberanas) também são refletidas no comportamento do índice, que mostra mais fragilidade do que os congéneres.

João Lampreia diz que "se olharmos para o índice mais parecido, o IBEX, de Madrid, vemos que nos últimos 15 anos teve um comportamento três vezes superior ao do PSI-20. E já nem vou pensar em Frankfurt, no Eurostoxx ou no S&P, nos Estados Unidos", sublinha.

A evolução do índice parece contrariar o primeiro conselho para quem investe em bolsa: que é um investimento no longo prazo. O analista do BIG continua a entender que "o longo prazo é o horizonte mais acertado para o investimento em ações, mas de facto o PSI-20 não replica isso, e acaba por ser um mau exemplo". E o cenário ainda é pior quando as grandes empresas desaparecem: "agora, sem PT e sem BES, as conclusões são ainda mais tristes", lamenta.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de