Quem tudo QREN tudo ganha

Avaliação dá nota positiva aos seis anos em que o Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) injetou mais de 3 mil milhões de euros nas empresas.

As empresas portuguesas apoiadas por dinheiros comunitários diminuíram o fosso salarial entre homens e mulheres. Esta é uma das conclusões da "Avaliação do Impacto dos Fundos Europeus Estruturais e do Investimento no Desempenho das Empresas", que é apresentada esta quarta-feira no ISCTE.

O relatório sublinha que "regista-se um aumento dos salários médios da mulheres face aos dos homens, decorrente dos incentivos públicos" do QREN.

Esta aproximação entre mulheres e homens passa-se nalguns programas de incentivos "por exemplo o sistema de incentivos SI inovação que é muito dirigido para grandes investimentos em capacidade produtiva, nós estimamos que ao fim de três anos há uma aproximação dos níveis salariais, encurtando para 35 euros (em média) a diferença de salários entre homens e mulheres", sublinha o coordenador desta avaliação, o professor do ISCTE, Ricardo Paes Mamede.

Mas quanto ao crescimento do número de mulheres nas administrações das empresas não foi identificado nenhum tipo de impacto.

O professor destaca que "os sistemas de incentivos do QREN tiveram um impacto positivo na sua evolução. Nós conseguimos chegar à conclusão que as empresas tiveram maior probabilidade de registarem marcas, patentes, de obterem certificação de sistemas de gestão".

Os sistemas de incentivos do QREN, entre 2007 e 2013, apoiaram perto de 10 mil projetos, "permitindo mobilizar cerca de 8,1 mil milhões de euros de investimento, a que correspondem cerca de 7 mil milhões de euros de investimento elegível total e 3,3 mil milhões de incentivo público", podemos ler no relatório da avaliação.

Este trabalho revela que cada euro de apoio induz 47 cêntimos de investimento adicional em formação bruta de capital fixo (FBCF), por exemplo para comprar novos equipamentos.

Assim, os impactos dos incentivos "mantêm-se positivos vários anos após o início dos projetos apoiados", adianta o relatório.

Norte mais beneficiado pelo QREN

Este trabalho coloca ainda em evidência que os sistemas de incentivos do QREN "selecionam positivamente: as empresas das regiões do Norte e do Centro, as empresas da indústria transformadora e de serviços baseados em conhecimento, e as empresas com 10 ou mais trabalhadores".

São também selecionadas as empresas "mais sofisticadas e financeiramente mais robustas". De acordo com Paes Mamede, em declarações à TSF, isto faz com que sejam "empresas que têm estratégias de inovação mais desenvolvidas, são mais viradas para o exterior e tendem a ter práticas de gestão mais avançadas".

Outro dado tem a ver com a qualidade do emprego. "Os sistemas de incentivos têm impactos positivos no crescimento do número de trabalhadores com contratos sem termo", pode ler-se.

O QREN aumentou também a ecoeficiência e a capacidade exportadora. Os incentivos "não só promovem o aumento geral das exportações das empresas apoiadas como contribuem para reforçar a orientação exportadora das empresas com menor presença nos mercados internacionais".

Para o futuro, o estudo recomenda que se reduzam as "taxas de incentivo a empresas com maior facilidade de acesso ao crédito bancário", já que isso poderia libertar "recursos para apoiar projetos empresariais promissores e alinhados com as prioridades das políticas públicas, que enfrentam maiores dificuldades de financiamento por outras vias", conclui.

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