Salgado alerta para perigo da privatização total da CGD

O presidente do BES entende que há vantagens numa privatização parcial da Caixa Geral de Depósitos, mas sublinha o perigo que uma privatização total traria ao banco do estado e ao país.

Foi a crise politica e a incerteza por ela gerada que originou a desclassificação do "rating" da dívida portuguesa por parte das casas de notação financeira, considerou o presidente do Banco Espírito Santo (BES), ouvido pela TSF em Londres.

A classificação do "rating" de Portugal foi agravada pelo «impasse politico criado», uma vez que o novo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) não foi aprovado, disse: defendendo: «Teremos que aguardar pelas eleições para que esse PEC possa vir a ser confirmado ou não».

Questionado sobre se Portugal ainda vai a tempo de evitar pedir ajuda externa, Ricardo Salgado respondeu que o país pode, no mínimo, negociar condições melhores do que aquelas que foram dadas à Irlanda e à Grécia.

«Portugal está no bom caminho, o défice está em linha com o previsto e se o BCE [Banco Central Europeu] continuar a financiar o sistema bancário e a comprar dívida pode ser que consigamos passar a crise», opinou.

«Não vou dizer que será uma intervenção, mas poderá ser um modelo diferente», acrescentou.

Mas para que Portugal tenha uma maior capacidade de negociação na Europa, o país precisa de um governo de maioria, defendeu, em linha que a posição já assumida por Cavaco Silva.

Um governo de maioria «é essencial no momento que estamos a atravessar», reforçou.

Sobre uma posição defendida pelo presidente do PSD, Passos Coelho, Ricardo Salgado considerou que a privatização parcial da CGD «poderia dar entrada nos cofres do Estado de capitais e também permitir o reforço da capitalização» do banco.

Porém, avisou que se a Caixa for totalmente privatizada «poderá ser facilmente adquirida» por um grupo internacional global tendo em conta a sua dimensão.

Em relação ao empréstimo-ponte sugerido por Passos Coelho para fazer face às necessidades de financiamento de curto prazo do país, o presidente do BES disse que tudo vai depender do BCE e da forma como esse empréstimo for negociado.

Ricardo Salgado comentou ainda as previsões do Banco de Portugal que apontam para um recuo no crescimento económico de 1,4 por cento em 2011.

Para Salgado, trata-se de um «sinal» de que «podemos estar de facto a desacelerar mais depressa do que aquilo que prevíamos».

Ainda assim, chamou a atenção para a «prioridade» de apoiar as exportações, que cresceram no primeiro trimestre de 2011.

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