Santander Totta «perfeitamente seguro» que vai ganhar processo dos swap (vídeo)

O presidente do Santander Totta diz-se «perfeitamente seguro» que vai ganhar o processo dos swap assinados com empresas públicas que corre na justiça inglesa e revela que o banco foi recentemente escolhido pelo Governo para uma operação financeira - mas não revela qual.

O caso que o Santander interpôs na justiça inglesa sobre os contratos swap com empresas do Estado não deverá estar concluído antes do início de 2016. Mas o presidente do banco está muito confiante no desfecho do processo: questionado sobre as possibilidades do banco vencer essa acção, António Vieira Monteiro afirma, em entrevista à TSF e Dinheiro Vivo, que está «perfeitamente seguro» que o banco vai ganhar. «Temos, de acordo com os nossos advogados e com os vários peritos que têm trabalhado connosco nesta matéria, grandes possibilidades de ganhar as acções», afirma.

«Não me passa pela cabeça» que o Estado não pague

O presidente da comissão executiva do Santander está de tal forma confiante num desfecho positivo para o banco que nem sequer fez provisões para acautelar uma possível derrota: «não temos dúvidas nenhumas que se o Estado perder, o Estado vai pagar. Portanto não temos de constituir provisões de crédito sobre uma entidade que temos a certeza que efetivamente vai pagar. Não há a mínima das dúvidas nessa matéria. É coisa que não me passa pela cabeça».

Santander escolhido pelo Estado para operação financeira

Vieira Monteiro garante que entre o Santander e o Estado não há azedume. Questionado sobre se o caso na justiça prejudicou as relações entre as duas entidades, garante que «não. Tirando este aspecto dos swap, mantemos uma relação perfeitamente clara e aberta com o Estado». De tal forma que «ainda agora fomos escolhidos para co-líder para uma operação do Estado». Vieira Monteiro escusou-se, no entanto, a revelar a natureza e os detalhes dessa operação.

Banco «sempre disponível para negociar»

O presidente da comissão executiva do banco reafirma que apesar do caso na justiça, está sempre disponível para rever os contratos: «tenho sempre dito desde a primeira hora que o Santander Totta está disponível para negociar com o Governo. Não é nossa política estar em conflito com o Estado».

Swap: muitos milhões de perda para o Estado

A polémica dos swap veio a público em 2012. A descida das taxas de juro de referência levam a que estes instrumentos, que servem exatamente para proteger as empresas nos casos em que a taxa sobe, passem a representar perdas potenciais estimadas, em 2013, em 3 mil milhões de euros.

O caso fez uma baixa no Governo: levou, no Verão de 2013, à demissão do secretário de Estado do Tesouro (Joaquim Pais Jorge), que enquanto representante do Citigroup propôs em 2005 um swap ao Governo de então.

A polémica, que dura desde 2012, chegou a envolver o nome da actual Ministra das Finanças: Maria Luís Albuquerque foi diretora financeira da Refer numa altura em que a empresa subscreveu contratos swap (que no entanto não foram considerados especulativos).

Depois de vários alertas, investigações, uma auditoria da Direcção-Geral do Tesouro e um reforço de poderes do IGCP (a agência que gere a dívida pública), o governo começa em Novembro de 2012 a negociar com os bancos os swap das empresas públicas. Chegou a acordo com quase todos. Menos um: o Santander Totta.

Em Setembro de 2013 o Governo deu ordens a quatro empresas públicas de transportes (Carris, Metros de Lisboa e do Porto e STCP) para que deixem de pagar ao Santander os encargos relativos aos swap contratados com o banco. O montante em falta já ascende a 45 milhões de euros.

Entretanto estas empresas decidiram, em contestação às ações instauradas pelo banco, reclamar o reembolso de 134 milhões de euros de juros pagos até Setembro.

No Orçamento do Estado, o governo estimava as perdas potenciais dos swap em 1530 milhões de euros. Destes, 1113 milhões referiam-se a contratos do Santander.

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