"Ter uma família numerosa é quase uma manifestação exterior de riqueza"

Carlos Carvalhas defendeu, n'"A Opinião" da TSF, que é preciso melhorar a distribuição de rendimentos para combater o envelhecimento da população.

O antigo secretário-geral do PCP, Carlos Carvalhas, considera que melhorar a distribuição do rendimento nacional é "uma exigência do ponto de vista social, de desenvolvimento económico, da melhoria das condições de vida da juventude e do combate ao envelhecimento da população".

No espaço de comentário na TSF, "A Opinião", Carlos Carvalhas comentou a apresentação do relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre desigualdades entre gerações, durante o Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, que terminou a 26 de janeiro.

O economista considera que o relatório do FMI "não é inocente". "Não é inocente em si, nem no facto de ter sido apresentado em Davos", comentou Carlos Carvalhas.

O antigo líder comunista classifica o relatório, que descreve a acentuação das desigualdades na distribuição da riqueza a nível mundial, como "embaraçoso" para os intervenientes na conferência económica.

"No ano passado, houve um recorde de multimilionários, ao mesmo tempo que aumentou a pobreza", lembrou Carlos Carvalhos, acrescentando que 82% da riqueza mundial pertence a 1% da população.

Carvalhas defende que o relatório põe a tónica nas diferenças entre os rendimentos dos mais velhos e dos mais jovens, como forma de desviar as atenções do verdadeiro fosso: as diferenças entre os rendimentos do capital e dos trabalhadores.

O comunista afirma que a questão é tratada "como se essas diferenças [de rendimento] intergeracionais fossem resultado direto do envelhecimento da população", quando o verdadeiro problema reside em fatores como a precariedade dos empregos e problemas de habitação.

Carlos Carvalhos critica ainda o facto de as soluções apresentadas "nunca procurarem uma igualdade por cima". "O nivelamento é sempre por baixo. É sempre tirar aos mais velhos, para ficarem iguais aos mais novos", em vez de dar os mais novos para ficarem no mesmo patamar que os mais velhos, lamentou o economista.

"Se os jovens conseguissem um emprego sem termo e habitação, não estaria tudo resolvido, mas faria com que não adiassem a decisão de ter filhos", defendeu Carlos Carvalhas, que acredita que passa por aqui o caminho para combater as desigualdades entre gerações e, simultaneamente, esse "tenebroso" envelhecimento da população. "Na nossa sociedade (e sobretudo nos centros urbanos), ter uma família numerosa é quase uma manifestação exterior de riqueza".

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados