Trabalhadores da Autoeuropa chumbam pré-acordo sobre novos horários

63% dos trabalhadores votaram contra e 13% abstiveram-se. O ministro do Trabalho já apelou a um entendimento de todas as partes.

O pré-acordo agora rejeitado estabelecia os termos do trabalho ao sábado e da laboração contínua (três turnos diários), que deveria ter início depois das férias de agosto de 2018. No referendo desta quarta-feira, mais de 63% dos trabalhadores rejeitaram o pré-acordo, com 3.145 votos contra o pré-acordo (63,22%) e 1.749 votos favoráveis.

Esta quinta-feira de manhã, na fábrica de Palmela, o repórter Miguel Videira ouviu alguns trabalhadores que se queixaram da falta de informação em volta deste novo pré-acordo, nomeadamente sobre a obrigatoriedade quanto ao trabalho ao sábado.

Governo apela a que se encontrem novas soluções para a Autoeuropa

O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, admite que este impasse representa um risco para a fábrica de Palmela e apela a todos os intervenientes para que encontrem soluções.

"Não é a primeira vez que existem acordos na Autoeuropa afetados por referendos de trabalhadores e sempre foi possível encontrar soluções negociadas. Sabemos que o tempo escasseia e as soluções têm de ser encontradas num espaço de tempo curto. Apelamos às partes que aprofundem os seus contactos para que possam estudar novas situações e, junto dos trabalhadores, ter uma atuação que valorize a importância que tem este acordo para o futuro da Autoeuropa, daquela região, do país, dos trabalhadores e das suas famílias."

A Comissão de Trabalhadores manifesta preocupação mas lembra que ainda há tempo. Fernando Gonçalves explicou ainda o que as condições deste pré-acordo que foi rejeitado e prometeu que a Comissão vai recomeçar o processo negocial.

"O conteúdo do pré-acordo garantia a manutenção dos direitos dos trabalhadores, tal como o trabalho suplementar, rotação semanal dos turnos, menos trabalho extraordinário, continuidade do horário semanal até à entrada do regime de laboração contínua, mais dias de descanso e a possibilidade de contratar mais 400 trabalhadores. As condições estabelecidas representavam uma melhoria para os trabalhadores ao que já tinha sido proposto. A Comissão pretende recomeçar o processo negocial com o objetivo de alcançar um entendimento."

Vieira da Silva entende que o resultado desta noite representa um risco para a Fábrica de Palmela. "Este impasse e esta pior situação é um risco para a empresa, seria ilusório estar a fazer uma afirmação no sentido contrário."

O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, apelou já esta noite ao sentido de responsabilidade dos trabalhadores e dirigentes.

Esta é já a segunda vez que é chumbado um pré-acordo negociado com a administração da empresa. No passado mês de julho, 74% dos trabalhadores da Autoeuropa tinham tomado a mesma decisão. Esse chumbo levou à demissão da Comissão de Trabalhadores, a que se seguiu uma greve histórica, a 30 de agosto, a primeira por razões laborais na fábrica de automóveis de Palmela do grupo Volkswagen.

O trabalho ao sábado, bem como a laboração contínua a partir de agosto de 2018, foram os principais motivos de contestação por parte dos trabalhadores da Autoeuropa.

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