Portas acusa Costa de se preparar para desrespeitar vontade popular

Um caso inédito na democracia portuguesa, acusa Paulo Portas, afirmando que o PS se prepara para chumbar o programa de um governo minoritário. Uma afirmação que não foi feita por António Costa.

O líder do CDS-PP acusa o secretário-geral do PS de se preparar para não respeitar a vontade popular e votar contra o programa de Governo de PSD e CDS-PP, no caso de a coligação ganhar as eleições.

"Não é uma atitude respeitadora da vontade popular nem uma atitude construtiva. É um caso inédito na democracia portuguesa o que está a suceder. O líder do maior partido da oposição já não fala como se fosse ganhar, já só ameaça o que fará se perder", afirmou Paulo Portas, referindo-se a uma das notícias de primeira página do semanário Expresso.

Em declarações aos jornalistas em Amarante, Paulo Portas afirmou que António Costa, depois de ter anunciado que votaria contra um orçamento que não conhece, "agora radicalizou ainda mais: não deixará a coligação aprovar o seu programa de Governo se a coligação ganhar as eleições".

Na primeira página, o Expresso titula hoje: "Costa chumba governo de direita minoritário", escrevendo em subtítulo que o "PS pensa que será governo se não houver maioria PSD/CDS. Costa confia na maioria de esquerda e na capacidade para fazer acordos".

Na notícia, que não cita fontes, o semanário escreve que "António Costa vai apostar na bipolarização (...) acredita que vai ganhar e que, salvo ocorra uma maioria absoluta da coligação, acabará sempre por ser o seu partido a formar governo".

"Ganhe ou não o PS as eleições, não será viabilizado um governo de minoria da coligação. António Costa pensa que é o seu partido que tem mais capacidade de diálogo e de gerar consensos, à esquerda e à direita, como provou na sua experiência de oito anos de autarca. Ao garanti-lo, Costa joga também a sua sobrevivência política no partido, sinalizando aos opositores que é melhor esperar para ver", acrescenta o semanário.

Paulo Portas, baseando-se nesta notícia, afirmou que o que António Costa "está a sugerir é que já não tem um projeto construtivo para o país, é que tem apenas um desígnio, conseguir uma maioria negativa, que não é capaz de governar porque PS, PC e Bloco não se entendem sobre questões essenciais, mas tem como único fito impedir que quem o povo escolhe, governe".

"Isto tem uma gravidade séria", declarou, argumentando que tal atitude geraria um "cenário de instabilidade" política e de "paralisia económica, o que significa que todos os indicadores positivos como a confiança, investimento e criação de emprego seriam prejudicados".

O líder centrista insistiu que "quando o eleitorado vota faz a sua escolha, e no dia seguinte, quem ganha deve ter condições para poder governar".

"Em democracia quando o povo escolhe não deve ser respeitada a vontade do povo? Eu acho que isto tem muito pouco a ver com o PS democrata e fundador da democracia. Isto é uma radicalização extrema da atitude política", sublinhou. "Isto não é aceitável, eu acho que o doutor António Costa devia retificar imediatamente isto", desafiou.

António Costa tem anunciado que chumbaria o Orçamento do Estado caso a direita estivesse no governo.

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