"Estas matérias são verdadeiramente o coração da regulação das relações laborais em Portugal"

"Como é que a Agenda do Trabalho Digno deixa intocada a violência laboral da troika?"

Para a UGT e o Bloco de Esquerda, a Agenda do Trabalho Digno deixa de fora atualizações aos valores das indemnizações por despedimento, que há vários anos já deveriam ter atingido a média europeia. A Confederação do Turismo de Portugal critica a "excessiva regulação através da intervenção do Estado no mercado de trabalho", e a Confederação dos Agricultores de Portugal considera "completamente extemporânea esta misturada de assuntos trazida agora para a discussão".

Miguel Poiares Maduro

O preço de trazer radicais ao governo

Subitamente, o país parece à beira de uma crise política. A verdade, no entanto, é que não sabemos se esta crise não é apenas mais um capítulo da farsa em que se transformou o debate orçamental em Portugal. Todos os anos, os partidos da esquerda mais radical que suportam o governo ameaçam reprovar o orçamento. Depois, um misto de ficção e realidade conduz ao acordo orçamental. Por um lado, o governo apresenta aumentos de despesa e investimento que nunca virão a ser executados, mas satisfazem, artificialmente, os seus parceiros políticos. Os orçamentos de Estado tornaram-se uma ficção que permite ao governo anunciar regulamente aumentos de investimento que nunca serão realidade. Por outro lado, o governo faz concessões, para lá do orçamento, revertendo ou adiando reformas que os seus parceiros políticos radicais não aceitam. Neste caso, a falta de reformismo dos governos de António Costa é o preço a pagar às forças conservadoras de esquerda, sendo que esse preço tem vindo a aumentar. O governo transformou os orçamentos em propaganda e moeda de troca da sua sobrevivência política.