A opinião das crianças e jovens conta e é preciso ouvi-la

A Associação Fernão Mendes Pinto está a desenvolver um projeto de formações e campanhas direcionados para profissionais que lidam com os direitos das crianças.

Ouvir os mais novos é protegê-los e ter a sua opinião em conta. Para que tal aconteça, a Associação Fernão Mendes Pinto quer fazer com que os mais novos se sintam seguros para participar na sociedade e por isso estão a desenvolver formações e campanhas para os profissionais que lidam com os direitos das crianças.

Se para os pais e para os professores é fundamental ouvir as crianças para proteger os seus direitos, numa situação de conflito torna-se ainda mais importante, como é o caso dos assistentes sociais, juízes, advogados e forças armadas. Marta Santos, da Associação Fernão Mendes Pinto, lembra que "não é uma prática recorrente [as crianças] serem elementos ativos dos diferentes processos".

"Acabamos todos por defender em teoria os direitos das crianças, mas não lhes damos oportunidade de elas próprias explicarem como gostariam organizadas as atividades", justifica.

A responsável explica que é preciso saber colocar questões para que o profissional não direcione as respostas: "Gostas mais do pai ou da mãe? [Estas] são perguntas totalmente erradas de colocar. A criança não percebe a separação, deveria gostar tanto de um como de outro. Os adultos é que estão em conflito e transferem o conflito para esses momentos causando profunda dor nas crianças."

O projeto de formação e sensibilização, chamado ADN - Ativar os Direitos dos mais Novos, vai procurar ajudar as crianças e os jovens ainda antes de chegar aos profissionais.

"O modelo que temos agora é de não audição, de 'não falas'. Vamos promover o contrário, levar as crianças a conseguirem expressar a sua opinião sobre os diferentes assuntos, sobre a comunidade, o que gostavam de combater por exemplo o bullying no espaço da escola", explica, frisando que pretende estender a capacidade de as crianças "se expressarem" e "falarem publicamente".

Marta Santos sublinha que esta preparação é fundamental para preparar os mais novos para quem venham a ser adultos com opinião, já que há muito a "crença de que as crianças são muito novas para dar opinião".

"Depois ficamos apreensivos quando, numa fase adulta, temos jovens com tão pouca vontade de exercer direito a voto. Tem a ver com processos que na infância promovemos enquanto adultos, depende de nós termos uma geração mais ativa e com consciência", assegura.

Além das formações juntos de vários profissionais, o projeto vai lançar três campanhas sobre o direito das crianças à opinião, à proteção contra maus tratos e aos tempos livres. O projeto arrancou em em abril de 2019 ​​​​​​​e decorre até março de 2022.

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