Ajudar as ONG a ajudar

O quarto eixo de intervenção do programa Cidadãos Ativos dedica-se a apoiar as entidades em si.

O quarto eixo de intervenção do programa Cidadãos Ativos, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Fundação Bissaya Barreto, dedica-se a reforçar a capacidade e a sustentabilidade da sociedade civil. Afinal, de que serve apoiar projetos se a instituição não sair fortalecida?

José Eleutério, da Gulbenkian, responsável pela coordenação do eixo quatro do programa Cidadãos Ativos, explica que tudo começa com um diagnóstico a cada instituição.

"Para evitar que as medidas sejam avulso, tomadas por feeling da direção, quisemos trazer um olhar externo que olhasse para a entidade, percebesse as suas necessidades e tomasse as decisões de forma mais racional e científica - não apenas porque 'eu acho que faz falta isto'."

José Eleutério considera que, além da falta de recursos e preparação de algumas organizações, há também muita carência de recursos humanos.

"Os colaboradores das Organizações Não Governamentais (ONG) têm muitas vezes de assumir uma série de papéis. Alguém da área social tem de fazer também a comunicação, o marketing, a angariação de fundos, o planeamento estratégico, a gestão e a área financeira. Acabam por assumir muitos chapéus e às vezes não tem capacidade, nem tempo, para tal."

O setor é também marcado por muita rotatividade entre os profissionais que, por falta de "capacidade para fazer as suas atividades do dia-a-dia", acabam por não conseguir "escalar o seu trabalho" e "angariar o talento de que precisam".

"Esperamos que com este apoio as ONG fiquem mais eficazes, mais eficazes e mais sustentáveis. É tudo isso que está em falta", destaca José Eleutério.

O responsável da Gulbenkian pela coordenação do eixo quatro do programa Cidadãos Ativos considera que seria ainda benéfico a criação de uma plataforma de direitos humanos que reúna e represente várias organizações de uma mesma área.

Isto permitiria às entidades estudar em conjunto os assuntos para melhor apresentar factos e provas e ter "uma voz mais forte, quer para falar com os media, quer para falar com os decisores políticos".

"É diferente ter uma entidade a dar um alerta ou ter 30. Para alguém que quer apresentar uma denúncia ou uma reclamação é mais fácil chegar a uma plataforma" do que a uma só entidade, nota.

A Gulbenkian não recebeu candidaturas suficientes na primeira edição do concurso para a criação de uma plataforma de defesa dos direitos humanos, pelo que voltou a abrir uma nova ronda. Está a aceitar candidaturas até 29 de novembro.

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