Da cidade ao campo: têm de ser as pessoas a decidir o sítio onde querem viver

A associação Graal quer ajudar os cidadãos a viverem no lugar com que se identificam apesar de muitas vezes terem de abandonar territórios a que pertencem por questões económicas.

Portugal tem assistido a uma perda de população quer em zonas rurais, quer nos centros das cidades, perdas que empurram as pessoas para lugares onde não querem estar e onde sentem mais as desigualdades.

Este direito ao lugar tem sido o eixo de trabalho de dois coletivos de organizações localizadas na grande Lisboa e no centro do país, um trabalho desenvolvido pela associação Graal através do projeto LigAções, que quer refletir sobre o direito ao lugar e o que isso significa.

"Quando falamos do direito ao lugar falamos do direito a viver num lugar, de ter possibilidade de ter uma habitação condigna, de ter um emprego, mas também na possibilidade de viver o lugar, de nos podermos mover com segurança, de podermos usar e usufruir dos espaços públicos e participar nas decisões que dizem respeito a este mesmo lugar", explica Eliana Madeira, responsável pelo projeto LigAções.

As várias entidades envolvidas foram identificando os problemas em três encontros que deram origem a um documento com um posicionamento comum: uma carta aberta que se dirige ao poder político e aos media.

"Esta carta alerta para um conjunto de problemas que levam as pessoas a ter de prescindir dos seus lugares porque deixa de ser uma escolha habital. A nossa intenção não é fixar ninguém a território nenhum, mas que isso seja sempre uma opção, uma alternativa real", justifica, frisando que "nos grandes centros urbanos há a questão dos custos com a habitação e no meio rural há várias questões, nomeadamente no que diz respeito ao emprego, às alternativas de emprego, à realização profissional, às questões da economia, à ausência de alguns serviços".

O documento lança também um conjunto de propostas concretas para proteger o direito de viver o lugar.

"Em contexto urbano há uma série de medidas que tem que ver com a facilitação do acesso à habitação e com a mobilidade para que seja mais fácil e mais seguro as pessoas moverem-se de bicicleta e a pé. Depois no meio rural tem muito mais a ver com as questões da vitalização da economia e da facilitação do acesso a reais apoios", explica a responsável, nomeando os apoios a empresas e a serviços.

O projeto espera que a carta seja agora amplamente divulgada e subscrita por outras organizações para depois desenvolverem debates e reuniões com decisores políticos de todo o país para levar mais longe este pensamento ​​​​​​​sobre o direito ao lugar.

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