É preciso garantir que os apoios a ONG não são desviados pela corrupção

O projeto CleanAid pretende ensinar organizações não-governamentais a lidar com a corrupção de forma a preveni-la.

O setor das organizações não-governamentais não está livre de riscos de corrupção e no Dia Internacional Contra a Corrupção, que se comemora esta quarta-feira, o Cidadãos Ativos foi conhecer o projeto CleanAid, promovido pela Transparência e Integridade, e que pretende mostrar que o impacto da corrupção pode ser devastador para os países beneficiários.

É preciso garantir que os apoios financeiros dedicados à ajuda humanitária e área de cooperação e desenvolvimento não são desviados pela corrupção e pela má governança. "Hoje em dia toda a gente fala de escândalos como o Luanda Leaks mas não é um caso isolado. Há muito dinheiro que sai sobretudo de África e da América Latina, que entra por via do investimento económico e das grandes negociatas à escala global, mas também é coaptado ilegalmente a partir destes esforços de ajuda internacional", explica Karina Carvalho, da Associação Transparência e Integridade.

A responsável lembra o caso do movimento Live Aid, nos anos 80, para acabar com a fome na Etiópia. "Para que muito dinheiro pudesse chegar às populações a que se destinava era preciso também apoiar os esforços de guerrilha que as populações fossem apoiadas", lembra, falando em "subtilezas" como uma ideia de que "os fins justificam os meios permite que a corrupção se instale".

Para prevenir este tipo de comportamentos, a associação decidiu criar o projeto CleanAID que ajuda as organizações portuguesas a reforçar a transparência e a prevenir a corrupção através de um seminário e de um curso e-learning.

Há duas dimensões: "a literacia anticorrupção" para que as pessoas percebam o que constitui uma irregularidade e uma "componente de training" com "nesta condição fazia isto ou aquilo, porque não fazia?"

O curso é de "iniciação" e está disponível online, mas a Transparência e Integridade promove outras formações sobre códigos de ética e conduta.

"Defendemos códigos de ética e conduto para o setor ONG também e a pior coisa que pode acontecer é uma organização ficar perdida pela atuação de uma única pessoa que decidiu não cumprir as regras estabelecidas", conclui.

A Transparência e Integridade desenvolveu também uma aplicação dirigida a trabalhadores humanitários com sugestões práticas para identificar e prevenir riscos de corrupção no trabalho.

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