Conferência Retomar Portugal - Turismo

Portugal está entre os cinco países europeus que mais dependem do turismo, mas a pandemia colocou um travão ao crescimento exponencial do setor. A vacinação completa contra a covid-19 abrange já 70% da população. Será isso suficiente para voltarmos aos números de 2019 já em 2022?

A pandemia e as restrições impostas em Portugal e em praticamente todo o mundo, embora a ritmos diferentes, funcionaram como um tsunami para um setor que muito depende da livre circulação de pessoas. Segundo a Conta Satélite do Turismo do INE, o peso das atividades turísticas no conjunto da economia é de 15,4% (2019), superando Espanha, França e Grécia nesse capítulo. Daí que uma crise sanitária global, como é aquela que foi desencadeada pela Covid-19, tenha atingido de forma muito acentuada o país.

A vacinação tem avançado a bom ritmo, colocando mesmo Portugal na frente do pelotão. O facto de 70% da população já ter sido inoculada de forma completa até meados de agosto poderá constituir uma ajuda, mas esse feito não terá sido alcançado no "timing" perfeito para um setor cujas receitas se baseavam fundamentalmente nas épocas estivais. Os últimos números demonstram-no. O primeiro semestre de 2021 fechou com uma receita turística de 2398 milhões de euros, valor que corresponde a apenas 25% da meta definida pelo Governo para o total do ano. O ministro da Economia e alguns responsáveis do setor depositam grande esperança no contributo de agosto para o balanço final.

Portugal depende em grande medida dos turistas estrangeiros e esse será o dado do problema que ditará um melhor ou pior balanço de 2021, condicionando igualmente as perspetivas para 2022. Aliás, a dependência de turistas não-residentes era mesmo considerada uma vantagem até 2019, mas pandemia anulou essa característica enquanto ponto forte. Tudo poderá voltar a ser como dantes, mas não há garantias. Países como a Alemanha estarão agora a recuperar melhor no turismo precisamente por dependerem menos dos visitantes. No Sul da Europa há, de facto, uma grande dependência em relação à procura turística externa. Em 2018, o peso dos não-residentes ultrapassava já os 50% na Itália; os 60% em Espanha e Portugal; e superava os 80% na Grécia.

Muitos hotéis e alojamentos fecharam portas durante a pandemia, sendo que alguns já não voltarão a fazer parte da oferta. O próximo desafio para o setor acontece já no final de setembro, com o fim das moratórias públicas. Em janeiro de 2021, cerca de 30,5% das empresas de alojamento e restauração com dívidas à banca tinham recorrido às moratórias de pagamento, o que correspondia a mais de metade do crédito relativo a este segmento. A hipótese de reestruturação é uma realidade, bem como o recurso a garantias bancárias caucionadas pelo Estado.

O Executivo tem tentado atacar o problema. O plano "Reativar o Turismo, Construir o Futuro" inclui, por exemplo, o IVAucher, que arrancou a 1 de junho. O valor acumulado no primeiro mês foi de apenas 21,2 milhões de euros, o equivalente a cerca de dois euros por cada contribuinte. O plano abarca ainda o selo Clean&Safe 2.0 e os programas Adaptar 2.0 e Valorizar 2.0. Será possível fazer mais pelas empresas?

O setor vai sair mais forte desta crise? A base de partida foi já construída nos últimos anos. Portugal é o país a visitar, segundo os utilizadores do site European Best Destinations, que elegem Braga, Porto, as praias de Cascais e do Algarve, a Madeira e os Açores, como locais imperdíveis. Esta distinção é apenas uma das muitas alcançadas pelo país no capítulo da notoriedade.

A conferência será transmitida em direto nos sites do JN, da TSF e no Linkedin do BPI. Pode consultar o programa completo aqui.

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