André Ventura: o candidato que preferiu falar de futebol em vez de Europa

Aluno de 19 valores, especialista em Direito e autor de um romance chamado "Montenegro", André Ventura quer ir para o Parlamento Europeu mas faltou ao debate na RTP para comentar futebol na CMTV.

A cadeira vazia no debate promovido pela televisão pública fica como marca da campanha europeia de André Ventura. Em vez de debater as ideias para a União Europeia e as razões que o levam a candidatar-se a eurodeputado, André Ventura preferiu " um compromisso profissional que tinha" como comentador desportivo na CMTV, função que considera compatível com a campanha política.

" Eu não sou rico. Vivo dos meus compromissos profissionais e decidi cumprir com a minha palavra e com a minha obrigação" , justificou o candidato que acumula o comentário televisivo com a docência na Universidade Autónoma de Lisboa e na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.

De acordo com a biografia apresentada , André Ventura licenciou-se em Direito com a classificação de 19 valores na Universidade Nova de Lisboa e doutorou-se em Direito Público na University College Cork, na Irlanda. A tese pretendia compreender "os custos económicos, sociais e civilizacionais" das reformas jurídicas sobre os direitos humanos, no pós 11 de setembro. Hoje, André Ventura defende um maior investimento no controlo das fronteiras e na entrada de imigrantes.

O currículo académico inclui um artigo sobre o Ensino do Direito no período do Estado Novo, assinado com o historiador António Manuel Hespanha, antigo militante do PCP que foi depois apoiante do Bloco de Esquerda.

Em 2008, André Ventura publicou o livro "Montenegro" (sem relação com o antigo líder parlamentar do PSD), que conta a "vida de Luís Montenegro, um ciclista de exceção, vencedor da Volta a Espanha, que de um momento para o outro sente o seu mundo ruir, ao descobrir que se encontra infetado com o vírus da SIDA".

Mais polémica gerou a obra de ficção "A Última Madrugada do Islão - A Conspiração que Matou Yasser Arafat e o Islão", com a Chiado Editora a suspender a publicação do livro por recear o "potencial incendiário" pela forma como era descrita a figura do Profeta Maomé, e pela referência a pessoas e lugares reais da OLP (Organização de Libertação da Palestina).

A entrada no palco mediático da política aconteceu nas eleições autárquicas de 2017, onde mereceu o apoio do então líder do PSD Pedro Passos Coelho para concorrer à Câmara Municipal de Loures. Acabou por ser eleito vereador com 21,55% dos votos. André Ventura ficou conhecido pelos comentários sobre a comunidade de etnia cigana, que classificou como aqueles que "vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado" e acham que "estão acima das regras do Estado de Direito".

Depois da chegada de Rui Rio à liderança do PSD, André Ventura abandonou o lugar na Câmara Municipal de Loures e a militância do PSD, acusando o novo presidente de "dar a mão ao PS". Decidiu então formar um novo partido: o Chega.

Entre as propostas do Chega estão a castração química de pedófilos e a proibição constitucional da eutanásia. Ventura defende ainda a prisão perpétua para homicidas e violadores, e considera que "não devem ser restringidos os direitos dos homossexuais" mas não se deve poder chamar "casamento" à união de pessoas do mesmo sexo.

O processo de legalização do partido ficou marcado pelo chumbo inicial do Tribunal Constitucional (TC), que encontrou assinaturas irregulares, e mais tarde, embora tenha aceitado a inscrição do Chega como partido político, remeteu o caso para o Ministério Público.

O TC não aceitou, no entanto, a coligação "Europa Chega", liderada por André Ventura e que pretendia concorrer às eleições europeias, por considerar que "a designação Europa Chega integra um termo que corresponde à designação de um partido: Chega", o que podia, na leitura dos juízes, "confundir" o eleitor.

Mesmo antes da aprovação no Tribunal Constitucional, o Chega já tinha espalhado cartazes nas principais artérias da capital. Aliás, na campanha europeia, a coligação que junta PPM, PPV-CDC, Chega e Democracia 21, destaca-se pelo orçamento: 500 mil euros, dos quais espera angariar 400 mil em ações de campanha.

Já durante a campanha, André Ventura disse que tenta "fazer pontes" com forças internacionais, como o espanhol Vox ou a italiana Liga Norte, para tentar criar um grupo no Parlamento Europeu que consiga fazer "mossa a este sistema".

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