Do Montijo a Bruxelas. Pedro Marques, o candidato das "contas certas"

Foi adjunto, deputado e ministro do Governo de António Costa. Segue-se o Parlamento Europeu, onde quer mostrar que, mesmo em tempos de crise, é possível contornar a austeridade.

O antigo ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, não foi, para muitos, a escolha mais óbvia para encabeçar a lista do PS ao Parlamento Europeu, mas, com 43 anos, o economista que cresceu no Montijo parte para a campanha eleitoral e para Bruxelas com elevada ambição, sendo mesmo apontado ao lugar de Comissário Europeu, onde o primeiro-ministro, António Costa, conta vê-lo com a pasta dos fundos estruturais.

As noticias sobre a candidatura do antigo governante ao lugar de eurodeputado começaram a circular logo nos primeiros dias de 2019, mas o caminho oficial para as eleições de 26 de maio começou apenas em fevereiro, na apresentação da candidatura, em Vila Nova de Gaia. E, foi aí, perante os socialistas, que começou por afirmar aquela que veio a ser a ideia chave da pré-campanha: um "novo contrato social" para uma Europa capaz de se reerguer através de "mais emprego, menos pobreza e desigualdades, e sempre com as contas certas".

O percurso realizado até chegar ao lugar de número um da lista socialista ao Parlamento Europeu foi, sobretudo, feito de trabalho político e partidário. Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) e mestre em Economia Internacional, o antigo ministro, conhecido pelo trabalho na gestão dos fundos comunitários, desde cedo lidou com essa pasta, tendo sido, entre 1997 e 1999, membro da Estrutura de Apoio Técnico da "Intervenção Operacional e Renovação Urbana", no âmbito do segundo Quadro Comunitário de Apoio - um instrumento que serviu, por exemplo, para apoiar as autarquias na erradicação de zonas ocupadas por barracas e aumentar a oferta de habitação social.

Entre o público e o privado, vingou a causa pública

Até 2001, Pedro Marques esteve no setor privado, onde foi consultor na área dos serviços digitais, mas foi sol de pouca dura, já que acaba por ingressar no campo governamental como adjunto do então ministro do Trabalho e da Solidariedade, Paulo Pedroso. Depois disso, passa pela autarquia do Montijo, onde foi vereador com pelouros como a habitação social, o planeamento e o desenvolvimento económico, até que, em 2005, é convidado para regressar ao Governo no papel de secretário de Estado da Segurança Social no ministério liderado por Vieira da Silva. Um lugar que manteve até 2011, momento em que cai o segundo Executivo liderado por José Sócrates.

No mesmo ano, nas eleições legislativas, foi cabeça de lista pelo PS no distrito de Portalegre e, já no Parlamento, como deputado, assumiu o cargo de vice-presidente do grupo parlamentar, onde foi o responsável pela área das finanças, tendo sido, mais tarde, em 2014, um dos apoiantes de António Costa no processo que levou o agora secretário-geral socialista a vencer as eleições primárias do PS frente a António José Seguro.

Nos meses seguintes, o agora "número um" do PS ao Parlamento Europeu ainda voltou ao setor privado, até que, em 2015, regressa à esfera governamental para o lugar de ministro do Planeamento e das Infraestruturas.

No Governo desde 2015 - lugar que deixou para encabeçar a lista às europeias -, Pedro Marques, de perfil discreto, assegurou a gestão dos fundos comunitários, anunciou obras aeroportuárias e fez campanha pela modernização da ferrovia. Agora, segue-se Bruxelas, para onde parte com o objetivo de defender o projeto europeu.

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