"Não cumpre a lei, fecha." PAN quer "tolerância zero" para indústrias poluentes

Francisco Guerreiro critica a tolerância e a permissividade de "quem põe a dita economia à frente dos direitos do ambiente e das comunidades".

O cabeça de lista do PAN às eleições europeias, Francisco Guerreiro, defendeu hoje uma política de "tolerância zero" para indústrias poluentes, que considera beneficiadas em detrimento "dos direitos do ambiente e das comunidades".

"Para nós é claro: não cumpre a lei, fecha. Não há mais tempo para continuar a poluir ribeiros e linhas de água", afirmou Francisco Guerreiro à Agência Lusa.

Hoje, o candidato visitou uma descarga ilegal em Mira, no distrito de Coimbra, e, no distrito de Leiria, a Ribeira dos Milagres, poluída pelas descargas de suiniculturas, e a Mata Nacional de Leiria, quase totalmente consumida nos incêndios de 2017.

A proposta do PAN é "de tolerância zero", lamentando o cabeça de lista que "se continue a privilegiar ao combate à prevenção":

"Temos andado a tolerar durante estas últimas décadas a permissividade de quem põe a dita economia à frente dos direitos do ambiente e das comunidades. A tolerância já teve o seu tempo" e "é irracional":

"Se tivermos em conta o real impacto na economia, e internalizarmos os custos para o ambiente, na saúde pública e mesmo nos produtores, não teríamos a benevolência constante sobre as indústrias poluidoras".

Mais do que exigir o cumprimento das leis ambientais, Francisco Guerreiro quer que as mesmas sejam reforçadas:

"É possível e desejável que se faça uma transição para um outro tipo de indústria que trará muito mais empregos e mais pessoas para o interior", afirma, criticando "forças políticas que promovem que seja investido dinheiro público para pagar as ETAR (Estações de Tratamento de Águas Residuais) para pagar estes efluentes".

"Ou as empresas têm dinheiro para ter os seus sistemas de tratamento ou então nem sequer abrem. Não é racional andar constantemente a ajudar empresas que depois não trazem nada de positivo", acrescenta.

Nas visitas que tem feito, o candidato tem sentido "descontentamento da sociedade civil" pela "falta de resposta das entidades públicas aos crimes ambientais":

"As pessoas estão muito cansadas da política tradicional, dos partidos de esquerda e de direita que propõem soluções iguais. Há uma dificuldade de operacionalizar modos, nem que sejam graduais, de resolução de problemas. E isso reflete-se nas taxas de abstenção".

No Parlamento Europeu, Francisco Guerreiro quer ser um eurodeputado com "cariz ambientalista".

"Os 21 que lá estão não têm esta componente e nós vamos querer que haja uma legislação cada vez mais rigorosa a nível ambiental, para que se cumpra os pressupostos a nível nacional".

Por exemplo, promete lutar contra a atribuição de fundos comunitários à indústria pecuária, apostando num plano de descarbonização:

"O anterior orçamento tinha cerca de 20%, ou seja, 32 biliões de euros que são direcionados a esta indústria. Todos os europeus estão a pagar para poluir e achamos que isto é perfeitamente irracional. Deve ser feita uma transição deste dinheiro público para indústrias bem mais sustentáveis, nomeadamente a expansão da estratégia para a agricultura biológica na Europa".

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