Depois do boicote, urnas já abriram em Morgade. Mas ainda ninguém votou

A mesa de voto da Junta de Morgade, em Montalegre, abriu pelas 9h00 da manhã, com uma hora de atraso, mas os eleitores em protesto continuam a recusar-se a votar.

O presidente da Junta de Morgade, José Nogueira, afirmou que pela manhã foi confrontado com as portas fechadas a cadeado do edifício onde está instalada a sessão de voto e no interior da fechadura estavam chaves partidas.

"Alertei logo a GNR da situação e tivemos que rebentar a fechadura para conseguir colocar a mesa em funcionamento", salientou. O que, segundo o presidente, veio acontecer pelas 9h00.

José Nogueira disse que durante esta primeira hora ninguém exerceu o direito de voto em Morgade, onde estão inscritos 329 eleitores.

"Pelas informações que vou recebendo penso que vai haver uma abstenção muito significativa, se não os 100%", referiu.

A população de Morgade está contra a instalação de uma mina de lítio a céu aberto anunciada para esta freguesia.

O boicote e o apelo à abstenção são "uma chamada de atenção", numa altura em que já foi assinado o contrato de exploração entre o Estado português e a empresa Lusorecursos.

Pela aldeia foram também colocadas tarjas de grande dimensão onde é possível ler "não à mina, sim à vida", "não à exploração mineira", "sempre juntos pela nossa terra".

José Nogueira disse que a população está preocupada e quer sensibilizar o Governo para que seja revista a situação e não coloquem estas aldeias "numa camisa-de-forças". "Pelo menos que perguntem a nossa opinião", frisou.

"Voto de protesto"

Dezenas de populares de Morgade, concelho de Montalegre recusam-se a votar nas eleições europeias. "Estamos a fazer um voto de protesto, ou seja, recusamos votar porque não concordamos com aquilo que o nosso Governo está a fazer com a nossa terra. Se é este tipo de desenvolvimento que eles querem para o Interior, nós não concordamos", afirmou Armando Pinto, porta-voz da Associação Montalegre Com Vida.

Esta associação está em fase de legalização e tem como objetivo lutar contra a exploração de lítio na freguesia, numa altura em que já foi assinado o contrato de exploração entre o Estado português e a empresa Lusorecursos.

Durante a manhã concentraram-se cerca de 50 pessoas perto da sede da Junta de Freguesia e pela aldeia foram também colocadas tarjas de grande dimensão onde a principal mensagem que se pode ler é "não à mina, sim à vida".

"Nós não queremos uma mina a céu aberto na nossa freguesia que vai afetar as três aldeias, uma mina com 800 metros de diâmetro e com 350 metros de profundidade, que irá trabalhar 24 horas por dia, durante todo o ano", salientou Armando Pinto.

O responsável frisou que a população não "quer abdicar da qualidade de vida" e que o protesto pretende ser uma "chamada de atenção" para o Governo português e a União Europeia.

Notícia atualizada às 12h00

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de