"Quem age por oportunismo acaba a tropeçar nos próprios pés"

A caminho das Europeias 2019, a TSF lançou um ciclo de entrevistas com os eurodeputados portugueses. Ouça aqui a entrevista a João Ferreira.

O cabeça de lista da CDU ao Parlamento, entrevistado na TSF esta terça-feira, considera "é muito visível que foi isso que aconteceu com PSD e CDS", ao anunciarem que iria "mudar de posição", em relação à questão do diploma do tempo de serviço dos professores.

João Ferreira reitera a posição dos comunistas, no sentido de reconhecer "a todos os trabalhadores sem discriminação, reconhecer o tempo de serviço que efetivamente desempenharam", lamentando que se tenha criado "muita desinformação nos últimos dias.

"Às tantas já se dizia que o que estava em causa era devolver os salários que foram retirados, aquilo que não receberam e deviam ter recebido ou os impostos que pagaram a mais. Mas não é nada disso que está em causa. Os professores, tal como todos os outros trabalhadores das carreiras especiais da administração pública, ninguém lhes vai devolver aquilo que lhes foi retirado. Do que se trata é, num momento em que se descongelam as carreiras, reconhecer o tempo que as pessoas efetivamente trabalharam", num plano com impacto orçamental para ser absorvido em sete anos.

O vereador da Câmara Municipal de Lisboa, que é pela segunda vez consecutiva número um na lista da CDU às eleições para o Parlamento Europeu, procura não valorizar o facto de o voto comunista poder agradar mais ao PS do que à FENPROF - organização sindical com forte ligação ideológica ao PCP - ter apelado à abstenção comunista às condicionantes à aplicação da medida propostas pelos partidos da direita, PSD e CDS

"Respeitamos todas as opiniões. Não sei se agrada ao PS, que também mudou de posição em relação àquilo que tinha assumido em 2017. O mesmo PS que não considera irresponsável despejar quatro mil milhões de euros no Novo banco, ou no fundo abutre norte-americano Apollo que é dono do Novo Banco". Governar é fazer opções e João Ferreira afirma que "o PS mostra de forma clara para que lado vão as suas opções e não vão para o lado da valorização do trabalho e dos trabalhadores".

As grandes prioridades da CDU para a próxima legislatura europeia desenvolvem-se em torno de seis eixos fundamentais: direitos sociais e laborais (como "futuro das pensões, sistemas públicos de segurança social versus tentativas de abrir portas à privatização da segurança social, erradicação da precariedade laboral"); defesa dos setores produtivos nacionais (defesa de uma política de fundos comunitários que "esteja em linha com os interesses do país"); um terceiro eixo que tem que ver com "democracia e soberania, batendo-nos por um princípio que para nós é fundamental, que é o da igualdade entre estados, um país - um voto"); rejeição "da deriva militarista na União Europeia"; um quinto eixo em torno das questões ambientais e um sexto eixo em torno "da promoção da cultura e das questões de identidade, da diversidade e dos intercâmbios culturais no seio da Europa".

O candidato comunista vê o Euro como um constrangimento e obstáculo estrutural que "impediu o desenvolvimento do país nas últimas duas décadas" e do qual o país se deve libertar, de forma organizada, embora admita que "a evolução da situação europeia não aponta nesse sentido".

Mas é categórico: "temos que nos libertar desta prisão", perguntando se o país quer continuar a ser um dos países que menos cresce no mundo, com níveis baixíssimos de investimento e elevados de emigração jovem, em suma, "se queremos para os próximos vinte anos aquilo que tivemos nestes vinte? Nós entendemos que não". E o PCP "aponta um caminho, que tem condições, não é remover um obstáculo de qualquer forma, tem de ser cuidadosamente preparado", para além de "um passo desta natureza não se poder dar contra a vontade da maior parte da população", não excluindo a realização de um referendo sobre a saída do país da União Económica e Monetária, defendendo os "direitos, rendimentos e poupanças da população".

João Ferreira admite que as sondagens nunca foram simpáticas para o PCP, mas acredita que o partido vai ter bons resultados no dia 26. Ter menos deputados eleitos que o Bloco de Esquerda seria uma grande derrota? "Isso não são contas que nos ocupem o espírito. Não olhamos para o Bloco de Esquerda. Temos tido momentos de convergência no Parlamento Europeu. Mais convergência só entre PS, PSD e CDS". Espera ver reconhecido o trabalho dos eleitos do PCP e garante não entrar "em corridas com este ou com aquele". João Ferreira, o biólogo especialista em espécies exóticas invasoras, que sobre a possibilidade de vir a ser Secretário-Geral do PCP, prefere não elaborar sobre "cenários que não têm o mínimo de realismo".

Esta semana, a TSF entrevista os cabeças-de-lista dos cinco maiores partidos portugueses: depois de Nuno Melo e João ferreira, seguir-se-ão Pedro Marques, Marisa Matias e Paulo Rangel. Todos os dias antes do Fórum, na emissão TSF e em tsf.pt, os temas europeus passam por aqui.

"O ciclo de 21 entrevistas" faz parte do projeto da TSF "A Hora da Europa", com o apoio do Parlamento Europeu.

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