As políticas económicas da UE podem ficar mais "verdes"

Socialistas e populares perderam a maioria no parlamento europeu, enquanto liberais e Verdes subiram. Economista João Duque entende que as políticas económicas de Bruxelas podem ser afetadas.

Portugal é o exemplo de como a configuração parlamentar obriga a constantes negociações entre os partidos que apoiam o Governo, entende o antigo presidente do ISEG, João Duque. O cenário não é nacional, o mesmo vai acontecer no Parlamento Europeu, agora que os social-democratas do PPE os socialistas do S&D já não detêm, na soma dos eurodeputados de cada grupo, a maioria absoluta.

O fim do domínio destas duas grandes famílias europeias vai, no entender do economista e antigo Presidente do ISEG, influenciar as políticas económicas e orçamentais da União.

"Admito, por exemplo, que a presença dos Verdes como um dos partidos que venha mais tarde que a apoiar e a desenvolver as linhas de ação do governo europeu na Comissão, façam as suas propostas e as suas imposições, a ponto de fazer com que o resultado da atividade e o programa da Comissão sejam diferentes daquilo que seriam se não fosse um programa negociado e uma Comissão negociada", explica o economista.

Os resultados destas eleições destacam a subida expressiva dos ambientalistas. E pode não ficar por aqui. João Duque acredita que a influência da onda verde pode vir a ser sentida a médio-longo prazo: "Os partidos ambientalistas vão ter mais poder, e nós vamos provavelmente sentir algum resultado daquilo que é uma recomposição do Parlamento Europeu", diz.

O economista acredita que a influência dos partidos Verdes vai acabar por alterar as linhas da União: também os partidos do centro "vão começar a colocar nos seus programas elementos que deem resposta a esta necessidade dos eleitores."

O antigo presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão sublinha que os europeus estão cada vez mais preocupados com o ambiente, o que acabou por impulsionar a ascensão de vários partidos ecologistas da União Europeia.

"Todos nós sentimos o efeito da poluição e todos nós queremos soluções e essas soluções não devem ser deixadas ao arbítrio de cada um mas, de alguma forma, devem fazer parte de um conjunto harmónico de políticas", acrescenta.

Extrema-direita sobe, mas não há risco de protecionismo

Com Marine Le Pen em França, Orban na Hungria e Farage no Reino Unido, estas eleições mostram, na opinião de Duque, que não só que a Europa está mais verde, mas também mais extremista. No entanto, o crescimento da extrema-direita foi mais contido do que as projeções.

Na leitura do antigo presidente do ISEG, não há risco de existirem políticas protecionistas. "Dentro do parlamento que foi eleito na União Europeia, vamos ter soluções estáveis para a criação de uma Comissão, de uma equipa e de uma visão para a repartição do orçamento que não passe por pela via protecionista".

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