Cataplanas, bombos e um Rio baterista. A campanha joga-se "até ao último minuto"

Já só falta uma semana para a hora da verdade e, nas ruas, salas de comícios ou supermercados, os partidos já começaram o tudo por tudo. Seja de moliceiro ou num púlpito, os discursos endurecem. Alguns, ao som do rock'n'roll.

Não é a primeira vez que Rui Rio toca em público. E não é a primeira vez que o faz no Minho, na mesma sala onde há seis meses interpretou a mesma batida de uma música que muitos recordam de outros festivais. Que Rio se esforçou, não há dúvidas: foi convidado a ir ao palco, a conhecer o instrumento, e depois... bem, é melhor ver.

O tema que os Da Vinci levaram à Eurovisão nos finais dos anos 80, aqueceu a sala. E o presidente do PSD não deixou créditos por mãos alheias: embalou no solo final que lhe foi reservado e, embora o palco não fosse só dele - minutos antes, em discurso, garantia que não era ele o candidato às Europeias, cavalgando a crítica dos últimos dias de que António Costa é o verdadeiro candidato socialista -, foi ele que arrancou a maior "ovação e uma enorme salva de palmas".

E conseguiu fazê-lo num dos maiores jantares comício da campanha social-democrata. A organização falou de 2.500 convivas, convivas pacientes, que fizeram longas, longuíssimas filas para conseguirem entrar na sala. Tanta gente no mesmo espaço e a atuação musical do presidente do partido eclipsaram a ementa do jantar, que não era cataplana.

Na véspera, em Vila Nova de Famalicão, o candidato do PSD, Paulo Rangel, deixara no ar a farpa: "A mim ninguém me viu com a minha família a cozinhar cataplana num programa de televisão." A crítica, que chamava para a campanha Cristina Ferreira, a apresentadora do talk show matinal da SIC, ia direitinha para o primeiro-ministro, convidado há coisa de dois meses para ir ao programa com a família - e que por lá cozinhou uma (agora) célebre cataplana.

Mas, nesta campanha para as Europeias, António Costa já virou a página da gastronomia. Este sábado, horas antes do jogo onde se ía decidir o campeonato português de futebol, o secretário-geral socialista anunciou em Viana do Castelo que "as eleições são mesmo como este campeonato, jogam-se até ao último minuto".

Assunção Cristas também foi ao mesmo programa da Cristina e não pode, por isso, falar das cataplanas de Costa. No fim de semana em que Nuno Melo dramatizou o discurso, pedindo que o CDS fique à frente do BE e do PCP como sinal de tolerância no combate aos "extremismos​​"​​, a líder centrista fugiu da estrada, mas nunca perdeu o pé. Já depois do Benfica se sagrar campeão nacional, pediu "um fortíssimo cartão vermelho" ao Governo do PS no próximo dia 26 de maio e, em Aveiro, escolheu um moliceiro para espalhar cânticos ao longo da ria. Não consta que tenha tocado qualquer bombo.

Nenhum outro líder partidário, para além de Rio, arriscou subir ao palco para dar música aos rivais, mas Marisa Matias apertou o cerco ao "festival de hipocrisia" de PS, PSD e CDS no que toca a orçamentos comunitários. A cabeça de lista do BE não cantou, mas foi com a ajuda dos The White Stripes que subiu ao palco do grande almoço que o partido organiza tradicionalmente em Lisboa, para assinalar precisamente metade da campanha eleitoral.

Sem bombos, mas com a bandeira da defesa dos trabalhadores, a campanha eleitoral da CDU trocou as ruas por um centro comercial. João Ferreira quer acabar com o trabalho ao domingo, reclama melhores salários e mais direitos para os comerciantes.

O candidato comunista garantiu que na CDU "não somos meros espetadores desta campanha" e que a sua comitiva tem apostado em mostrar a diferença em relação às outras forças políticas.

A campanha eleitoral para as Europeias encerra oficialmente na próxima sexta-feira, mas já não escapa à crítica generalizada de que pouco se tem debruçado sobre temas europeus. Só dia 26 de maio se ficará a saber se a música destes últimos dias ajudará a levar eleitores às urnas.

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