Costa diz que Rangel é um dos que "falam, falam, falam" e nada fazem pelo interior

António Costa acusou o PSD de se limitar a criticar o PS, defendendo que a politica não é um lugar para a maledicência.

O secretário-geral do PS comparou hoje o trabalho do seu ex-ministro Pedro Marques e o do "número um" europeu do PSD, considerando que Paulo Rangel, em 10 anos em Bruxelas, nunca fez nada pelo interior do país.

António Costa falava no jantar-comício do PS, na Covilhã, após discursos do seu cabeça de lista europeu, Pedro Marques, do secretário de Estado da Energia, João Galamba, e da líder da Federação de Castelo Branco, Hortense Martins.

No seu breve discurso, o líder socialista arrancou a sua primeira salva de palmas quando se referiu à recente ação de campanha do eurodeputado do PSD Paulo Rangel num helicóptero a sobrevoar a zona de pinhal dos distritos de Coimbra e de Leiria - a área atingida pelos incêndios de 2017.

"Quando falamos de interior, não nos metemos num helicóptero para sobrevoar o interior, vamos a Proença-a-Nova, ao coração do pinhal interior, buscar um grande presidente de Câmara e pô-lo no Governo: João Paulo Catarino, que é secretário de Estado para a Valorização do Interior", declarou.

Ainda segundo António Costa, quando o PS fala em interior, "coloca a Secretaria de Estado em Castelo Branco, porque é no coração do interior que se constrói o desenvolvimento desta zona do país".

O secretário-geral do PS entrou depois nas comparações diretas entre Pedro Marques, na qualidade de ex-ministro das Infraestruturas e do Planeamento, e Paulo Rangel, dizendo então que o seu cabeça de lista ao Parlamento Europeu esteve diretamente envolvido na reabertura da linha ferroviária entre a Covilhã e a Guarda que se encontrava encerrada há 10 anos e, no âmbito da renegociação do Portugal 2020, reservou 1700 milhões de euros em fundos comunitários para empresas que pretendam fixar-se no interior.

"A verdade é esta: Há uns que falam, falam, falam e há aqueles que fazem. Em 10 anos de presença no Parlamento Europeu, o que fez Paulo Rangel pelo interior do país, para além de ter vindo aqui passear de helicóptero? Só nestes três anos e só relativamente a este distrito, fez mais do que eles [Rangel e Nuno Melo] em 10 anos de presença no Parlamento Europeu", declarou, recebendo muitas palmas.

De acordo com António Costa, como estes resultados do seu Governo "custam muito" às oposições, "em vez de proporem algo de útil pela Europa, só são capazes de dizer mal do PS - e nada mais. Mas a política não é o local da maledicência, mas o local para bem fazer", contrapôs.

Costa pede o "tudo por tudo" a autarcas e militantes

O secretário-geral do PS fez ainda um veemente apelo aos autarcas e militantes do seu partido para que se mobilizem e "deem tudo por tudo" na última semana de campanha, afastando triunfalismos e travando a abstenção.

António Costa fez este apelo mesmo na parte final do seu discurso no comício da Covilhã, numa altura em que têm saído sondagens favoráveis ao seu partido. Sondagens que, no entanto, têm gerado algumas apreensões entre membros da direção socialista, que temem atitudes de excessiva confiança e de desmobilização no eleitorado de centro-esquerda.

"As eleições do próximo dia 26 não são irrelevantes, mas, antes, essenciais que exigem a mobilização de todos. Precisamos mesmo de dar força ao PS para que possamos manter o rumo certo, com mais rendimento das famílias, mais emprego e, sobretudo, para dar força à nova geração, que não queremos que parta" deste país, declarou.

O secretário-geral socialista deixou então uma mensagem, sobretudo dirigida aos autarcas do seu partido.

"Peço aos nossos presidentes de Junta de Freguesia, de Câmaras Municipais, mas também a todos os nossos militantes. Falta uma semana de campanha e é preciso dar tudo por tudo para garantir uma grande vitória pela Europa, por Portugal e pelo PS. É para isso que nos temos de nos mobilizar", acrescentou.

Continuar a ler