Europeias 2019

Marisa Matias pede urgência na criação do estatuto do cuidador informal

Cabeça de lista bloquista para as Europeias acredita que a primeira versão do estatuto será acordada "em breve".

Apesar de não responder a todas as necessidades dos cuidadores informais, a candidata do BE às europeias, Marisa Matias, mostrou-se hoje confiante num acordo no parlamento, em breve, para a primeira versão de um estatuto já muito atrasado.

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A urgência de um estatuto do cuidador informal levou hoje Marisa Matias e a caravana do BE a casa de Luísa Vieira, no Porto, que em 2010 deixou o seu emprego para cuidar do marido 24 horas por dia, sete dias por semana, sem nenhuma ajuda a não ser a dos filhos.

"Existem em Portugal cerca de 800 mil pessoas que cuidam e que não têm ninguém que cuide delas. E nem têm sequer um estatuto reconhecido e por isso o que é importante nisto é que de facto estas pessoas se organizaram, apresentaram uma petição pública, deu origem a um relatório na Assembleia da República que o José Soeiro redigiu, passou à comissão parlamentar, está em discussão, está negociação. O que é urgente é que se crie esse estatuto do cuidador informal", disse a cabeça de lista do BE aos jornalistas.

Sentada "lado a lado" com Luísa Vieira - por todos chamada de Ziza - Marisa Matias lembrou que foi "graças aos cuidadores e às cuidadoras" que este processo "está a avançar", sendo "melhor tarde do que nunca".

"E eu acredito que em breve se pode chegar a um acordo na comissão para termos a primeira versão do estatuto em Portugal", apontou.

Quando a eurodeputada do BE admite que esta "primeira versão não responderá a todas as necessidades que seriam as respostas justas que deveriam estar neste estatuto", ouviu-se a voz de Ziza: "nós sabemos".

"Nós não queremos viver à custa do Estado. Nós poupamos muito dinheiro ao Estado e os ex-cuidadores, que ninguém fala neles, eles não vão ter benefício nenhum e continuam ao nosso lado e a lutar às vezes até com mais força do que nós", destacou.

A eurodeputada do BE recordou que no Parlamento Europeu apresentou, no primeiro mandato, a estratégia de combate ao alzheimer e demências onde previa o apoio aos familiares.

"As pessoas têm o direito de poder escolher cuidar com qualidade, com direitos, com recursos. Têm que ter a possibilidade de cuidar, mas têm que ter uma rede de serviços públicos que as ajude, têm que ter apoio psicológico, períodos de descanso", explicou.

Atualmente, para poderem descansar e poderem "tomar um café com uma amiga", estes cuidadores "têm que pagar o descanso na rede pública que existe, que pode chegar aos 30 euros por dia", referiu a bloquista.

"A maior parte das pessoas que está nesta situação teve que abdicar das suas carreiras, do seu trabalho e isso tem impactos não só no rendimento familiar e nos recursos que não têm para cuidar dos seus, como tem depois impactos para a sua carreira contributiva chegando à idade da reforma e não tendo anos de descontos", observou ainda.

No final da conversa - durante a qual foi o filho de Ziza que esteve, longe dos olhares dos jornalistas, a cuidar do pai - Marisa Matias e o deputado José Soeiro despediram-se desta cuidadora com um "até amanhã" uma vez que Luísa faz questão de ir ao almoço-comício, que sábado decorre em Lisboa, ficando os seus filhos a substituí-la.

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