Europeias 2019

Catarina Martins lembra que a 26 de maio "também se decide o salário"

Líder do Bloco de Esquerda destacou o papel de Marisa Matias no aumento do salário mínimo nacional.

A coordenadora nacional do BE, Catarina Martins, defendeu hoje que em 26 de maio, dia das eleições, "também se decide o salário", avisando que quem chegar atrasado às europeias, "chega atrasado em outubro" para "aumentar os direitos".

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No comício da campanha eleitoral que hoje à noite decorreu em Aveiro, Catarina Martins discursou antes da cabeça de lista do BE às europeias, Marisa Matias, e focou-se na "luta pelo salário em Portugal".

"É este o caminho, nem mais nem menos, que está em debate nestas eleições europeias. No dia 26 de maio também se decide o salário. Sabemos de experiência feita", sublinhou.

A líder do BE afirmou que se o partido "garantiu o aumento do salário mínimo nacional, no parlamento, com o acordo que fez com o PS", também "foi preciso ter a Marisa Matias em Bruxelas a chumbar as sanções que queriam fazer ao nosso país".

"Quem chegar atrasado às eleições europeias, chega atrasado em outubro [eleições legislativas] para aumentar o salário, para aumentar os direitos", avisou.

Apesar de o salário mínimo nacional ser ainda "muito baixo" (600 euros), Catarina Martins enaltece que haja "700 mil pessoas em Portugal que ganham mais 95 euros por mês do que ganhavam no princípio desta legislatura".

"Foi precisa a determinação do Bloco cá e a força da Marisa em Bruxelas. Foi uma das maiores vitórias do bloco nesta legislatura porque provamos que é possível subir o salário mínimo contra os patrões e apesar de Bruxelas. É este caminho que tem que prosseguir", assegurou.

Seguiu-se a própria cabeça de lista do BE às europeias, Marisa Matias, que lembrou esta noite que o aumento das pensões "foi uma das três condições" colocadas pela líder do BE a António Costa para viabilizar a solução de Governo.

No comício da campanha para as eleições europeias de sexta-feira à noite, em Aveiro, Marisa Matias fez um discurso muito crítico sobre a "vergonha" que considera ser a questão fiscal na União Europeia e recordou que "há quatro anos a Comissão Europeia exigia um corte de 600 milhões de euros nas pensões" em Portugal, intenção que "rapidamente foi introduzida nos programas do PSD e do CDS".

"Não nos esquecemos que o PS prontamente se disponibilizou para congelar as pensões. Não nos esquecemos que o descongelamento das pensões e o aumento das pensões foi uma das três condições colocadas por Catarina Martins a António Costa para poder viabilizar a solução de governo. Não nos esquecemos, temos memória", destacou.

Os "esquemas fiscais que têm sido produzidos e alimentados" na União Europeia", segundo a eurodeputada recandidata do BE, "são os mesmos esquemas que têm permitido que Portugal perca, a cada ano, 780 milhões de euros em IRC para paraísos fiscais".

"Num país onde temos pensões tão baixas, onde as pensões mínimas estão bastante abaixo do salário mínimo, num país em que percebemos que há tanta pressão da União Europeia para não aumentar as pensões, percebemos também que perdemos, a cada ano, em fuga de IRC destas empresas o que seria equivalente a quase uma década de aumento extraordinário de pensões. É extraordinário não é, de tão injusto que é", criticou.

Em tom duro, Marisa Matias condenou que "na União Europeia, infelizmente, a fiscalidade é suposta ser uma matéria oculta".

"É uma espécie de guardião das caixas negras da criminalidade organizada porque ao manter tudo isto oculto, opaco e nesta espécie de caixas negras, nós permitimos que continue a alimentar-se esquemas do pior, desde o branqueamento de capitais e lavagem de dinheiro à corrupção propriamente dita, ao financiamento de terrorismo", elencou.

A eurodeputada do BE quer "tudo claro" e, exige ainda, que "as multinacionais e as grandes empresas paguem os impostos nos sítios onde geram os seus lucros".

"É assim e a criar emprego que se consolidam as contas públicas", defendeu.

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