"Passos apareceu para anunciar desgraças" e "Portas emergiu qual submarino"

Catarina Martins agradeceu a Passos Coelho e Paulo Portas terem aparecido na campanha das europeias porque assim lembram ao país a importância do acordo de 2015 para "tirar a direita do poder".

No comício desta terça-feira em Braga, Catarina Martins subiu ao púlpito e atirou logo à direita, cuja "desfaçatez" condenou por "aparecer agora nesta campanha eleitoral como se nada fosse, como se não tivesse feito nada, a pedir aos mesmos que empobreceu, que atacou, que insultou, que lhes confiem o seu voto".

"Eu acho que hoje é um bom dia para balanços. O PSD, vejam lá, foi buscar para a campanha Pedro Passos Coelho, que apareceu zangado para anunciar, aliás como sempre, desgraças", disse, perante uma vaia na sala mal se ouviu o nome do ex-primeiro-ministro e antigo líder social-democrata.

Mas a líder do BE não esqueceu o antigo parceiro de PSD na coligação: "Paulo Portas [antigo presidente do CDS-PP] emerge também esta noite, qual submarino, do seu mundo de negócios. Fez uma pausa da Mota Engil para aparecer na campanha do CDS."

"Eu acho que nós só lhes podemos agradecer. É bom que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas apareçam hoje na campanha. Lembram bem o país porque é que fizemos um acordo em 2015 e como foi importante tirar a direita do poder. Ninguém tem saudades de PSD e de CDS", salientou.

Se Catarina Martins apontou à direita, a cabeça de lista do BE às eleições europeias de domingo, Marisa Matias, insistiu nas críticas ao primeiro-ministro, António Costa, pela aproximação ao Presidente francês, Emmanuel Macron.

"Estou francamente preocupada com a dedicação de António Costa em construir uma aliança bizarra com Macron", disse, considerando que os portugueses e as portuguesas "têm o direito de saber" o que tenciona fazer o primeiro-ministro ao lado de Macron.

Logo no arranque do discurso, Catarina Martins tinha começado por dizer que desde o início da campanha que se lembrava de Braga.

"Não sei se se lembram de um dia frio, chuvoso, em 2015, em que as trabalhadoras que iam ser despedidas pela Segurança Social, que [o ex-ministro] Mota Soares queria pôr na rua, fizeram um cordão humano à volta da Segurança Social de Braga e não há dia nenhum em que eu não veja o CDS a pedir votos para eleger Pedro Mota Soares para o Parlamento Europeu que eu não me lembre dessas trabalhadoras. Como foi dura a luta em Braga e como os derrotámos", salientou.

Carlos Peixoto, um "lesado de Mota Soares" que estava no comício, serviu para a líder do BE voltar a criticar as políticas do anterior Governo e falar de um "corte de 44%" na reforma que "nos envergonha a todos".

"Há algo de profundamente revoltante na forma como vemos hoje os mesmos que empobreceram o país, a querer que as pessoas que atacaram votem neles e confiem neles", condenou.

Estas eleições são sobre a Europa e não sobre o Governo, sublinhou a líder do BE.

Contudo, acrescentou, "na verdade, na Europa fazem-se as decisões sobre o país e a direita atacou quem trabalha e trabalhou" em Portugal, "como atacou através de Bruxelas".

"Em 2015 houve um acordo para tirar a direita do poder. Valeu a pena? Eu acho que valeu a pena", disse.

Coragem de ir mais longe foi o pediu Catarina Martins que citou os versos de José Mário Branco, cantados no início do comício por Rui David: "Eu não meti o barco ao mar para ficar pelo caminho".

Para o final do discurso ficou o apelo ao voto que Catarina Martins tem feito ao longo desta campanha, desta vez para "aqueles que sabem que tem valido a pena" e que não querem recuar.

"Que ninguém fique em casa, que toda a gente vá votar", pediu.

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