Coligação que forma Governo na Alemanha "corre perigo"

União Democrata-Cristã (CDU), União Social-Cristã (CSU) e Partido Social Democrata (SPD) perderam em cionjunto cerca de 18% dos votos nas Europeias.

O analista político Josef Janning defende que a coligação que governa a Alemanha, formada pelos partidos de centro esquerda e direita, está "em perigo", depois de ter perdido, em conjunto, cerca de 18% dos votos nas europeias.

A "grande coligação", formada pela União Democrata-Cristã (CDU), a União Social-Cristã (CSU) e o Partido Social Democrata (SPD) pode ter os dias contados, depois de um "resultado desastroso" nas eleições para o Parlamento Europeu, disse o diretor do departamento do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR) de Berlim.

"A coligação está em perigo. Isso acontece sempre quando um dos partidos que a compõe tem dúvidas sobre o seu papel e os seus ganhos dentro da aliança. E isso está a acontecer com o SPD. Eles não queriam formar uma grande coligação, a CDU também não queria, mas estava mais preparada para isso. O SPD teve de ser forçado pelo Presidente da Alemanha a entrar", explicou o analista em declarações à Lusa.

Por isso, afirmou, "as vozes que diziam que optar por uma coligação seria uma escolha errada e que mais um ano teria sido gasto para reposicionar o partido, essas vozes vão crescer e vão adensar as fricções dentro do SPD".

Nos resultados oficiais provisórios, divulgados esta hoje, os dois partidos do bloco conservador, CDU e CSU alcançaram 22,6% e 6,3%, respetivamente, quando em 2014 tinham reunido 30,0% e 5,3%.

"A CDU/CSU obteve perto de 29%, uma percentagem que eles esperavam nunca na vida alcançar. Sempre tiveram como objetivo ficar acima dos 30% em qualquer eleição, seja ao nível nacional ou internacional. Significa que a nova líder, Annegret Kramp-Karrenbauer, como a nova cara do partido, não conseguiu mobilizar o eleitorado de forma a contrariar a tendência. A tendência é a perda significativa de poder dos partidos do centro", considera o analista político.

Já o SPD caiu para o terceiro lugar, com 15,8% dos votos, quando em 2014 tinha alcançado 27,3%.

"Para o SPD foi ainda pior. Perderam quase 11% por cento dos votos e estão a praticamente cinco pontos de distância dos Verdes, um verdadeiro desastre para o partido e um péssimo sinal para a cabeça de lista, a ministra da justiça Katarina Barley. E é também uma mensagem muito negativa para a líder Andrea Nahles. Acredito que depois de contados todos os votos, haverá um grande debate interno, muita frustração, muitas pessoas zangadas, e talvez até alguma troca de cadeiras porque as eleições mais importantes para o país estão marcadas para depois do verão, em três estados federados", defendeu Janning.

"Andrea Nahles, que foi a grande defensora da entrada na grande coligação, vai ser acusada de ter tomado a decisão errada. E agora resta saber quanto é que ela vai aguentar. Quanto mais nervoso ficar o partido, menos assertivo será. A 'GroKo' até pode continuar, mas o SPD poderá ser mais exigente e 'afiar' as suas políticas. Por exemplo, como é deles a ministra do ambiente, e perceberam que o clima ganhou muitos pontos nestas eleições, podem querer avançar com medidas mais radicais nesta área. Se elas não avançarem, travadas pela CDU, então a responsabilidade do fim da coligação será dos conservadores", acredita o analista.

Para Josef Janning não há dúvidas de que nestas eleições, na Alemanha, os grandes vencedores foram os Verdes, que praticamente duplicaram o seu resultado de 2014 e ficaram em segundo lugar, com 20,5% (10,7% em 2014).

"Este resultado para os Verdes é uma conquista inigualável, mostra que o programa apela mais além do seu eleitorado clássico. E está sobretudo ligado às preocupações ambientais e energéticas e o facto de este partido parecer ser o único que traz caras jovens e ideias frescas que conectam com as pessoas", sublinhou o diretor do departamento do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR) de Berlim.

Sobre os resultados do "Alternativa para a Alemanha", Janning defendeu que os 11% conseguidos podem ditar o fim do crescimento do partido no país.

"O AfD cresceu, mas não como tinha acontecido nas eleições a nível nacional. Isto pode indicar que a extrema-direita na Alemanha já tenha atingido o seu pico. Estão nos 11%, alguns pontos abaixo do que já conseguiram em eleições estaduais ou federais, o que pode querer dizer que a oportunidade que tinham para crescer já terminou", frisou o politólogo.

Josef Janning congratulou-se com os valores da abstenção na Alemanha, uma vitória para o país e para a Europa.

"É muito significativo que a participação tenha aumentado para mais de 60%, quando nas últimas eleições se fixou nos 48%. É uma mudança, parece que a ideia que tínhamos de que as europeias não interessam ao eleitorado, não é bem verdade", declarou.

A participação nestas europeias foi de 61,4% na Alemanha, mais 13,3 pontos percentuais do que em 2014.

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