Ferreira Leite e Assis concordam. PS e PSD têm resultados semelhantes às últimas europeias

Entrevistados na manhã da TSF, Manuela Ferreira Leite e Francisco Assis consideraram que o resultado dos dois partidos não divergem muito do que foi conseguido em 2014.

A social-democrata Manuela Ferreira Leite e o socialista Francisco Assis não encontram grandes diferenças entre os resultados das eleições europeias de PS e PSD deste ano e os de há cinco anos.

Manuela Ferreira Leite, entrevistada pelo jornalista Fernando Alves na manhã da TSF, considerou um exagero a leitura de que este foi um resultado catastrófico.

"Não acho nada catastrófico. Por um lado, está-se a fazer comparações entre percentagens e dizer que é o pior ou o melhor resultado de sempre, quando estamos a fazer comparações como as eleições em que fomos em coligação, não me parece correto. Muito menos parece correto conseguirmos tirar grandes conclusões quando o nível de abstenção é aquele que foi."

Ainda assim, Manuela Ferreira Leite sublinhou que "a abstenção é um valor absolutamente trágico", lembrando, contudo, que este ano os cadernos eleitorais têm mais um milhão de eleitores. "Neste caso concreto, no caso do PSD, tem o mesmo resultado da última vez quando foi sozinho", acrescentou.

Manuela Ferreira Leite destacou ainda que com um resultado quase idêntico a este o PSD teve balanço para vencer as últimas legislativas.

Para a antiga líder social -democrata, a vitoria do PS significa "uma vitoria de "António Costa", que conduziu a campanha para temas nacionais e esteve sempre a acompanhar Pedro Marques.

No mesmo plano, Francisco Assis, que se despede do lugar de eurodeputado socialista entende que António Costa sai reforçado e considerou que o primeiro-ministro se tornou o centro de toda a campanha para as europeias. Ainda assim, em entrevista à TSF sublinhou que o PS não teve uma vitoria muito mais gorda que nas ultimas eleições.

"Não há diferenças muito significativas em relação aos resultados das eleições anteriores. O PS passa de 31,4% para 33,4%, portanto, sobe dois pontos percentuais. O PSD, o CDS e a Aliança têm uma votação praticamente idêntica, ou até mesmo ligeiramente superior, à que tiveram. Há uma mudança à esquerda, porque o Bloco sobe e o PCP desce. E há a emergência do PAN que corresponde, de facto, àquilo que é hoje uma preocupação, sobretudo das novas gerações, que tem que ver com os temas ambientais."

Francisco Assis recusa usar o termo poucochinha para falar desta vitoria do PS, como aconteceu nas últimas europeias, até porque, como lembra, a politica também se faz muito de perceções.

"Eu fui candidato há cinco anos, ganhámos as eleições, a seguir houve quem considerasse que a vitória era poucochinha. A política faz-se muito de perceções e de interpretações. Os factos são sempre objeto de interpretações e depois ganha quem consegue projetar melhor essa interpretação."

O socialista foi mais longe e lembrou as interpretações das europeias de 2014: " Não há dúvida que, há cinco anos, aqueles que, dentro do PS, queriam afastar o doutor António José Seguro da liderança construíram esse argumento e venderam bem essa teoria que tinha sido uma vitória poucochinha. Na altura, achei que tinha sido uma vitória. Para mim, a demonstração que a vitória não foi assim tão poucochinha é que o PS a seguir não ganhou as eleições legislativas, ficou até um bocadinho atrás da coligação de direita."

Francisco Assis lamentou ainda que a campanha tenha sido pouco esclarecedora e entusiasmante e que se tenha caído numa permanente desqualificação dos candidatos.

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