Francisco Assis afastado das listas do PS às Europeias

O atual eurodeputado e cabeça de lista socialista nas eleições de 2015 não consta, ao que a TSF apurou, da lista que a direção de António Costa está a elaborar. Novo cabeça de lista está escolhido.

"Desde que me queiram, estarei sempre na primeira linha para defender o PS." A frase, que dá para tudo, foi deixada numa entrevista ao Expresso, na edição do passado sábado. Francisco Assis mostrava-se um homem preparado para qualquer cenário: para voltar a ser cabeça de lista às Europeias deste ano, para integrar a lista sem ser, necessariamente, o número um ou, no limite, para ficar de fora.

Pois é exatamente isso que deverá acontecer. Ao que a TSF apurou, Francisco Assis não consta dos planos de António Costa para a batalha eleitoral das Europeias. Nem como número um, nem em qualquer outro lugar da lista. O PS deverá apresentar-se a eleições com um nome novo e sem Assis, que entrou, pela primeira vez no Parlamento Europeu em 2004.

Várias fontes contactadas pela TSF confirmam que o eurodeputado, para já, não consta da lista que está a ser elaborada no Largo do Rato. E este "para já" pode ser particularmente relevante. Ninguém assume que o afastamento de Francisco Assis é definitivo até porque "em política isto pode dar muitas voltas", mas, neste momento, ele não consta dos planos do secretário-geral do Partido Socialista.

O nome do novo cabeça de lista do PS, de resto, já está escolhido, mas continua no segredo dos deuses. Apenas um grupo muito pequeno conhece o "eleito" de António Costa para a batalha eleitoral que se avizinha. Uma coisa é certa, não será nenhum dos nomes que têm corrido nos bastidores: nem Augusto Santos Silva, nem Mário Centeno e muito menos Carlos César. Ao que a TSF apurou será uma figura "que o país conhece", ou seja, que não precisa de grandes apresentações.

Assis aguarda mas não olha para o telefone

O PS só deverá anunciar os nomes dos candidatos às Europeias na Convenção Nacional que está marcada para 16 de fevereiro. É essa a data limite, definida por António Costa, para apresentar ao país a lista com que o partido se apresentará nas urnas a 26 de maio, data das eleições.

Até lá, Francisco Assis continua à espera de ter notícias do Largo do Rato. Coisa que, confirmou a TSF, até agora não aconteceu. Fonte próxima do eurodeputado confirmou à TSF que, até ao momento, não houve qualquer contacto do Secretário-geral do Partido Socialista com Assis.

Na entrevista ao Expresso, do último fim de semana, Francisco Assis assumia isso mesmo mas ia mais longe: "Não é necessário ter nenhuma conversa. A questão é muito clara: a decisão cabe ao secretário-geral do partido. Seja qual for a decisão, ela em nada interferirá com a minha relação com António Costa e com o PS. Não há aqui obrigações de espécie alguma", dizia o eurodeputado, mostrando, ao mesmo tempo, que projetos não lhe faltam.

Nas palavras do eurodeputado "António Costa tem toda a legitimidade para escolher as pessoas que entende", acrescentando que "sendo ou não convidado, estarei ativamente com o PS." Significa isso que Assis não quer continuar em Estrasburgo? Pelo contrário: "Se for convidado, ponderarei. As pessoas sabem o que penso [sobre a "geringonça"]. Se entenderem que, apesar desta divergência, ou até por causa dela, posso ser útil ao PS, poderei ponderar. Se entenderem que esta divergência é impeditiva, terei de o aceitar."

As críticas à geringonça podem mesmo ser um dos principais impedimentos para que Francisco Assis continue nas listas do Partido Socialista. Afinal ele foi, dentro do PS, um dos maiores críticos da solução política que juntou PS, Bloco de Esquerda, Partido Comunista Português e Verdes e que permitiu a António Costa chegar a primeiro-ministro. As convicções de Assis não mudaram: "Mário Draghi fez muito pela "geringonça", houve um quadro que foi muito favorável. Noutro contexto, continuo convencido de que não teria, nem terá, condições para funcionar."

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