João Ferreira agarrado ao guião numa campanha morna

Sem Jerónimo de Sousa em grande parte das ações, o cabeça de lista João Ferreira foi o protagonista da campanha da CDU, que decorreu sem incidentes e sem fugir ao guião comunista, muito focada nas questões de âmbito europeu.

Se é verdade que João Ferreira se manteve fiel à natureza destas eleições, escolhendo diariamente um tema de interesse nacional relacionado com decisões europeias, também é verdade que teve alguma dificuldade em fugir à linguagem burocrática e aborrecida que caracteriza o funcionamento das instituições europeias.

Nas ruas, no contacto com a população, João Ferreira, que até tem uma boa imagem televisiva não a consegue capitalizar, faltando-lhe empatia e descontração, e impondo a si mesmo uma grande rigidez e formalidade. Não fossem os bombos e as gaitas de foles que acompanharam quase todas as arruadas, assim como as bandeiras coloridas da CDU, as ações de rua teriam passado quase despercebidas, com o cabeça de lista a mostrar um certo desconforto na abordagem aos eleitores, limitando-se a entregar os folhetos com os rostos e o programa da coligação PCP-PEV.

A decisão de Jerónimo de Sousa andar com agenda própria nesta campanha, aparecendo apenas em alguns momentos, também não terá ajudado à mobilização, em particular no Alentejo, onde se esperava uma campanha com mais fulgor, nomeadamente nos distritos de Évora e Beja. O comício de Serpa foi a exceção, em contraponto com o almoço em Bencatel (Vila Viçosa), que ocupou meia dúzia de mesas. Com a presença do secretário-geral comunista, o comício de Alhandra, no domingo à tarde, foi um dos melhores momentos destas duas semanas.

A caravana da CDU andou, sobretudo, pelos distritos de Lisboa e Setúbal, e foi em Almada que se viu a maior arruada, numa demonstração de força em frente à Câmara Municipal que a coligação perdeu para o PS nas últimas autárquicas.

Tanto na postura, como no discurso, João Ferreira não fugiu um milímetro ao guião traçado para esta campanha, atacando, mas sem ferir, os seus principais adversários, e expondo as contradições da ação política de PS, PSD e CDS no país e no Parlamento Europeu.

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