João Pimenta Lopes: "A União Europeia alimenta fake news"

Num tom crítico, o eurodeputado do PCP, João Pimenta Lopes considera que a União Europeia também promove a desinformação.

Em entrevista à TSF, o eurodeputado que assumiu funções em 2016, afirma que Bruxelas e as suas instituições têm sido "promotoras de interferência externa", chegando a "alimentar" as designadas fake news para alcançar os seus objetivos.

"A própria União Europeia alimenta um conjunto daquilo que hoje se chama notícias falsas", considera o deputado, apontando como "falso" que a União Europeia "tenha sido um garante de paz desde a II Guerra Mundial, na Europa", pois tal não passa de "fake news".

"A União Europeia é um promotor de interferência externa. E tem alimentado diversos tipos de ameaça sobre a União Europeia para justificar a tomada de um conjunto de medidas, muitas delas que vão no sentido de criar limitações e cercear liberdades, direitos e garantias", afirma.

"Basta olhar para aquilo que foi o papel da União Europeia ou para o que foi a fragmentação da Jugoslávia", exemplificou o deputado, apontando não só outros "conflitos que existiram nos Balcãs", mas também "o contributo que a União Europeia deu no contexto da Ucrânia, contribuindo ou alimentando um golpe de Estado em 2014".

Outro dos exemplos, apontado pelo deputado do PCP sobre aquilo que classifica de fake news, diz respeito à "suposta solidariedade" da União Europeia relativamente às migrações ou sobre "direitos humanos", e mesmo em matéria de "cumprimento do direito internacional"

Populismo

Questionado sobre a possível fragmentação política da eurocâmara a seguir às eleições europeias, pela força do surgimento de novas formações políticas de caráter considerado populista, Pimenta Lopes afirma que tal é responsabilidade da União Europeia porque "as suas próprias políticas têm contribuído para alimentar as forças de extrema-direita no Parlamento Europeu".

"Não podemos esquecer-nos das críticas da Comissão Europeia, em 2016, ao aumento do salário mínimo - então [naquela altura] de 505, para 530 euros", lembrou Pimenta Lopes, considerando que se tratou de "um aumento muito limitado", mas que, mesmo assim, mereceu "críticas duras, do ponto de vista daquilo que são os instrumentos da governação económica".

O deputado frisou que a posição de Bruxelas não foi uma mera opinião, mas - pior ainda - pode resultar "até em sanções para o próprio país, (...) no quadro do semestre europeu". "Não esqueçamos também as críticas feitas [pela Comissão], no ano passado, às dificuldades de despedir trabalhadores sem termo", disse.

O eurodeputado do PCP foi entrevistado no âmbito do programa a Hora da Europa. No Parlamento Europeu integra a comissão dos Direitos da Mulher e da Igualdade dos Géneros. Integra a Delegação à Assembleia Parlamentar Euro-Latino-Americana. É membro da Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais, da delegação para as relações com a República Federativa do Brasil, membro suplente da Comissão dos Transportes e do Turismo, e da Delegação para as relações com o Mercosul.

Ao longo as próximas semanas, a TSF procura respostas a questões sobre as alterações climáticas, crescimento e emprego, direitos humanos, eleições europeias, futuro da Europa, migrantes, proteção dos consumidores, proteção social. São estes os pontos de partida para as conversas com os eurodeputados, em direto, de Bruxelas ou Estrasburgo.

Todas as semanas, às quartas-feiras, antes do Fórum, na emissão TSF e em tsf.pt, os temas europeus passam por aqui.

"O ciclo de 21 entrevistas" faz parte do projeto da TSF "A Hora da Europa", com o apoio do Parlamento Europeu.

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