Na Alemanha, há quem faça centenas de quilómetros para votar

"Vale a pena? Vale!" Alfredo Stoffel, conselheiro das comunidades na Alemanha, é um dos muitos portugueses que, este domingo, percorre centenas de quilómetros para poder votar, em Berlim.

No bairro de Schöneberg, em Berlim, as bicicletas fazem fila para estacionar em frente a uma escola. Enquanto os pais votam, o parque de areia com escorregas enche-se de crianças a brincar.

Este domingo joga-se o futuro da Europa e, para Katrin Friedmann, é uma forma de mostrar que "apoiamos e defendemos a democracia e que, enquanto países, estamos abertos e ligados pelos mesmos valores".

Mãe de dois filhos, a designer gráfica de 41 anos usa uma t-shirt de apelo ao voto, com uma mensagem em francês. Confessa que, mais do que medo da extrema-direita na Alemanha, sente irritação e perplexidade.

"Na Alemanha, devido à separação que existiu no passado entre este e oeste, julgo que as pessoas ainda se sentem fortemente discriminadas, e isso é uma das causas para este crescimento do populismo de direita", revela a alemã.

Desde a abertura das urnas, às 8h00 da manhã, vão chegando famílias inteiras aos locais de voto, identificados na porta com um cartaz onde aparecer escrito "Whallokal".

"Há muito em jogo", desabafa a portuguesa Berta Martins, "tenho uma filha, ainda muito nova, e não quero que sejam os radicais, de esquerda ou direita, a decidir o futuro da Europa".

"Eu gostava que ela encontrasse a Europa que eu encontrei. Vim tirar o doutoramento para a Alemanha em 1995, pude viajar com uma bolsa, como europeia sou bem-vinda em todo o lado e gostava que se continuassem a defender os valores da igualdade, e da fraternidade e fossemos todos iguais", explica a investigadora, a viver há uma década em Berlim.

Ricardo Luís puxa um carrinho de bebé. Na Alemanha há 9 anos, sublinha que as eleições "são sempre importantes, mas estas especialmente".

"Há que dar uma mensagem muito forte de democracia na Europa, seja qual for o partido", realça o português.

Alfredo Stoffel, conselheiro das comunidades portuguesas na Alemanha, fez mais de 600 quilómetros para poder votar hoje, em Berlim. "Mas vale a pena? Vale! Não posso dizer às pessoas para irem votar e eu ficar sentado no sofá sem fazer nada", revela.

"Estou otimista. Temos de ter em conta que aqui, o voto também será dado considerando a situação na Alemanha. Mas a nível europeu, penso que a extrema-direita não vai ter a força que pensa que vai ter", afirma.

Stoffel congratula-se com o facto de muitos jovens portugueses estarem a votar, em Berlim, sublinhando que é a mesa de voto da capital aquela com mais afluência de toda a Alemanha.

Quando já muitos regressam a casa depois de votar, Manuela Hinze começa o dia. Depois de já ter trabalhado nas mesas de voto, noutras eleições, desta vez, a alemã de 30 anos, coordena uma equipa num posto de correios no distrito norte de Reinickendorf.

"Comecei a interessar-me pelo sistema de voto e por tudo o que acontece para que uma eleição funcione quando fiz 18 anos. Queria perceber o que é que acontece num local de voto, o que é que se faz quando as urnas fecham. Por outro lado, acho muito importante que as pessoas votem, só assim podem criticar. Quando digo aos meus amigos ou familiares que sou ajudante, acho que isso os motiva um pouco a votar, é essa a minha intenção", revela.

Tem como função principal avaliar a validade dos votos por correspondência porque "cada voto conta", e nestas eleições conta "mesmo muito", confessa a berlinense.

"Com o Brexit, e com a insatisfação que muitas pessoas sentem em relação à União Europeia, com o crescimento da extrema-direita, acho muito importante votar nestas eleições. Não podemos deixar para os outros", frisa.

Cerca de 61 milhões de alemães escolhem 96 lugares no Parlamento Europeu. As urnas fecham às 18h00 locais (17h00 em Lisboa).

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