"O que me levou à JCP foi mesmo a lista telefónica"

João Ferreira, o candidato da CDU às Europeias, é o primeiro passageiro da "Ponte Aérea para as Europeias".

O cabeça de lista da CDU às Eleições Europeias, João Ferreira chegou à política aos 16 anos quando decidiu filiar-se na Juventude Comunista Portuguesa (JCP). "Não tinha nenhuma pessoa conhecida próxima que fosse membro do PCP e, portanto, o meio que me levou à JCP foi mesmo a lista telefónica. Procurei a morada e fui lá manifestar o interesse e a vontade de aderir", recorda. Até então, o que aprendeu nas aulas de História e as "leituras que me foram permitidas e a que tive acesso, nomeadamente em casa" foram determinantes para a sua formação política.

O início da carreira política de João Ferreira é um dos temas abordados na estreia da "Ponte Aérea para as Europeias", da TSF, em que a repórter Liliana Costa embarcou com o candidato até ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, numa viagem que sobrevoa o percurso, as convicções e a ambição de João Ferreira.

No aeroporto de Lisboa, o eurodeputado já se habituou aos atrasos da companhia aérea portuguesa TAP e no dia em que partiu para a última sessão plenária da legislatura não foi excepção. Para chegar a Estrasburgo foi necessário voar para Frankfurt (Alemanha) e daí seguir de carro, numa viagem de duas horas, até à cidade francesa onde está localizada uma das sedes do Parlamento Europeu. Este meio de transporte, com motorista, é cedido pelo município de Estrasburgo para minimizar as dificuldades de acessos aéreos. "Não temos ligações directas de Lisboa e precisamos sempre de fazer escalas", assinala. Com os atrasos no voo e os problemas de trânsito nas estradas alemãs, João Ferreira falhou a intervenção que estava prevista fazer sobre os apoios a Moçambique após o ciclone Idai, acabando por ser substituído pelo eurodeputado João Pimenta Lopes.

Para a viagem, que aproveita para trabalhar, João Ferreira faz-se acompanhar de uma pequena mochila onde cabem algumas roupas, um tablet e o livro "A Capital", de Robert Menasse, uma sátira sobre Bruxelas. "Foi uma aprendizagem que fui fazendo ao longo do tempo. O facto de ter casa em Bruxelas permite-me ter lá o que necessito e quando vou para Estrasburgo temos transporte assegurado de alguns pertences pessoais", conta.

Sportinguista, João Ferreira admite que "sofre muito" e que, apesar da agenda carregada, consegue ver alguns jogos no estádio. "Na televisão é mais difícil porque o futebol já foi mais democratizado, quando tínhamos acesso a jogos em canal aberto", atira.

Eurodeputado e vereador na Câmara Municipal de Lisboa, João Ferreira afirma que concilia as duas funções "com dificuldade de gestão dos horários e das presenças mas o tempo tem mostrado que essa acumulação é possível e, nalguns casos, até benéfica para o desempenho de uma de outra" função.

Já no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, quase 8 horas depois de ter chegado ao aeroporto de Lisboa, o candidato da CDU às Eleições Europeias recusa o rótulo de "anti-europeísta" frisando que o facto de se opor ao atual modelo da União Europeia não significa que defenda uma visão isolacionista. "Eu, o PCP e a CDU revê-se naquilo que de melhor tem a história do continente europeu e nos princípios e valores civilizacionais conquistados pelos povos e a União Europeia está a por em causa muito desse acervo. Podemos dizer que a União Europeia é anti-europeia nesse sentido", defende.

O candidato comunista considera que a integração das economias é uma necessidade mas considera que essa integração tem sido feita em função dos interesses das grandes multinacionais e das grandes potências e não . "Podemos ter uma resposta a essa necessidade de integração que defenda os interesses dos povos, que respeite a soberania dos Estados e que os trate por igual", sustenta.

João Ferreira considera, aliás, que o atual modelo de construção europeia, "feito nas costas dos europeus muitas vezes contra a vontade popular", tem sido "a principal razão" da elevada abstenção eleitoral.

Reconhecido como um dos rostos da renovação comunista já chegou a ser apontado como um dos potenciais candidatos à liderança do partido. João Ferreira garante perentoriamente que "de maneira nenhuma" tem essa ambição, acrescentando que a questão não tem paralelo com a vida dos outros partidos. "Temos uma liderança coletiva, não há uma cultura do chefe, e temos um secretário-geral que está na plenitude das suas funções e, na minha opinião, a desempenhar um excelente papel desde há vários anos", concluiu.

Continuar a ler

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de