Líderes do centrão à procura de alianças no Parlamento Europeu

Até aqui, socialistas e conservadores tomavam a decisão entre eles. Mas, com a configuração que resulta das eleições de ontem, deixa de ser assim.

Sem a maioria no Parlamento, os grupos políticos do centro estão agora obrigados a procurar alianças.

O PPE continua a ter mais deputados. Mas, o alemão Manfred Weber sabe que já não será possível fechar acordos apenas com os socialistas. "Não sinto uma verdadeira vitória poderosa", afirmou o cabeça de lista do grupo político europeu que, apesar do trambolhão, continua a reunir maior número de deputados.

Weber reconhece que, com 179 deputados, vai "estar aberto a todas outras contribuições", apesar da tentativa de "uma campanha para chegar uma vez mais como o grupo com direito de liderança".

O socialista Frans Timmermans abre a porta a quase todos os cenários de coligação, depois de umas eleições que refletem "maior dificuldade para formar coligações", tal como é também "a situação interna dos Estados".

"Quando se perde uma eleição, quando se perdem lugares, têm de se ser modesto. Mas, ao mesmo tempo, tem de haver responsabilidade, porque continuamos a ter mais de 150 [na realidade 150 exatos] lugares neste parlamento", afirma Timmermans, para quem o caminho agora passa por "construir alianças".

O holandês, vencedor das eleições no seu país, entende que é "na base de um programa e de alianças, podemos depois iniciar a guerra dos tronos sobre quem vai para que cargo".

Todos falam em alianças, para estabelecer uma maioria. Aos dois partidos do centro junta-se a Aliança dos Liberais e Democratas da Europa, um grupo político ampliando nestas eleições, incontornável em qualquer aliança. A sua cabeça de lista Margrethe Vestager deixou entender, na noite de ontem, que o grupo político apoiado pelo PSD e pelo CDS pode ficar isolado na discussão sobre o Spitzenkandidat. A liberal pisca o olho aos Verdes e ao candidato apoiado por António Costa.

"Apreciei muito o que o meu colega Frans Timmermans disse. Que uma coligação pode ser construída por aqueles que querem fazer alguma coisa [e] por aqueles que querem agir progressivamente, para mudar as coisas", disse a dinamarquesa, atenta também "aos sinais que vêm dos verdes", considerando que "há espaço para conversações nos próximos dias, diferentes do que vimos até aqui".

Pelos Verdes, Ska Keller deixa tudo em aberto, dizendo que uma geringonça terá que ter em conta um programa político centrado "na proteção do clima, numa Europa social e em que a as liberdades civis e que a democracia governem por toda a Europa".

A partir de agora, começa a discussão sobre a 'guerra dos tronos' dentro da União Europeia. O primeiro cargo que há para decidir é o de presidente da Comissão Europeia. O Parlamento Europeu ainda quer fazer vingar o processo do chamado Spitzenkandidat (cabeça de lista).

Já esta terça-feira, os governos reúnem-se para iniciar oficialmente o debate sobre a distribuição de cargos. A discussão ainda pode levar algumas semanas até à escolha de um nome, que terá de receber o aval do Parlamento Europeu.

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