Patriarcado de Lisboa faz 'mea culpa' depois de apelar ao voto no Basta

A página de Facebook do Patriarcado de Lisboa teve, durante mais duas horas, uma publicação a apelar ao voto nos movimentos Basta, Nós Cidadãos e no CDS-PP. O post foi depois retirado e considerado "uma imprudência".

O Patriarcado de Lisboa apelou ao voto em três forças políticas que são contra o aborto, a eutanásia e outras políticas consideradas de "defesa da vida".

Num post publicado na página do Facebook, o Patriarcado de Lisboa partilhou um gráfico a comparar os vários partidos candidatos às europeias pela postura assumida em relação a questões como, por exemplo, o aborto, a eutanásia e a prostituição.

A publicação mostra que a coligação Basta, o Nós Cidadãos e o CDS-PP são forças políticas pró-vida, fazendo um apelo ao voto nestes três movimentos através de duas hashtags: #euvotoprovida (eu voto pró-vida) e #avidaem1lugar [a vida em 1.º lugar).

O PS, o Bloco de Esquerda e o PAN são, de acordo com a publicação, os três partidos que devem ser riscados da opção de voto dos católicos, porque são contra todos os critérios definidos como "pró-vida".

De acordo com o Diário de Notícias , o gráfico partilhado pelo Patriarcado de Lisboa foi feito pela Federação Portuguesa pela Vida, que analisou as posições de todas as forças políticas quanto às questões de "defesa da vida": "vida por nascer"; "rejeição eutanásia"; "liberdade de educação"; "oposição ideologia de género"; "proibição barrigas de aluguer"; e "combate à prostituição".

Contactado pelo jornal, o gabinete de comunicação do cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, admitiu que a partilha a apelar ao voto foi uma "imprudência" e acabou por apagar a publicação da página do Facebook, onde esteve durante cerca de duas horas.

"Admitimos que foi uma imprudência. Para o Patriarcado, é essencial que toda a gente tenha a possibilidade de discernir o seu voto", afirmou o Patriarcado de Lisboa, em resposta do DN. "Para não criar qualquer dúvida, retiramos o post e remetemos a posição do Patriarcado para a Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa."

Ouvido pela TSF, o jornalista António Marujo, especialista em Assuntos Religiosos, afirmou que a situação em causa foi, de facto, "uma imprudência lamentável".

António Marujo considera que o episódio é, sobretudo, "revelador de algumas mentalidades católicas", que "dão primazia a determinados fatores" da doutrina cristã, "mas não a outros".

"Poderíamos muito bem completar a lista [do gráfico partilhado pelo Patriarcado de Lisboa] com outros tantos itens que seriam bastante mais importantes no momento que estamos a viver", declarou o especialista, apontando como exemplo questões como "a luta contra a pobreza", "a defesa de uma distribuição de rendimentos mais justa" ou o "o acolhimento de refugiados". "Aí, os partidos que aparecem como mais próximos da doutrina católica perderiam, seguramente, essa qualidade", retorquiu.

António Marujo destaca o "discurso xenófobo e praticamente de extrema-direita que a coligação Basta já mostrou", indicando que a mesma está "nos antípodas daquilo que é a doutrina social católica".

O especialista sublinha ainda a questão da defesa ambiental, um problema "tão grave que levou o Papa a escrever uma encíclica só dedicada a isso" e que foi excluído da lista partilhada pelo Patriarcado de Lisboa. "Estamos a falar de uma coisa muito simples: se daqui a 50 anos não houver planeta, já não teremos necessidade de discutir o aborto nem a eutanásia", concluiu.

Notícia atualizada às 9h20

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