Paulo Rangel, o político que queria ser astrónomo e acabou em Bruxelas

Aos 51 anos, vai a caminho do terceiro mandato no Parlamento Europeu. Paulo Rangel, "político desde pequeno" - apesar te ter desejado ser astrónomo, por causa de uma série de televisão - apresenta-se a eleições com a luta contra o cancro na agenda.

Em pequeno, no ensino primário, já os colegas achavam que a política estaria no seu horizonte. Palpite certeiro para o homem que está há 10 anos no Parlamento Europeu - vai a caminho de mais cinco - e que, no cenário nacional, já teve vários papéis de destaque dentro do Partido Social Democrata (PSD). Mas já lá vamos...

Corria o ano de 1968 quando nasceu Paulo Rangel, em Vila Nova de Gaia, no seio de uma família marcelista e, posteriormente, seguidora de Sá Carneiro. Desde criança que se lembra das figuras políticas nacionais e, enquanto os colegas poderiam saber a constituição de uma equipa de futebol, Rangel sabia a composição dos governos provisórios e constitucionais.

A entrada na politica acontece já depois de se ter formado em Direito na Universidade Católica Portuguesa, de onde saiu com uma média de 17 valores. Advogado de profissão, professor por gosto e político por vocação, dá os primeiros passos na militância no CDS, cativado por António Lobo Xavier. Mas é no PSD, onde chega pela mão de Rui Rio para um Conselho Consultivo do PSD-Porto, que ganha força e destaque.

Fez parte do Governo de Pedro Santana Lopes, onde assumiu a pasta de secretário de Estado Adjunto do ministro da Justiça, José Pedro Aguiar-Branco; foi líder parlamentar, durante a liderança de Manuela Ferreira Leite, e a aventura europeia começou nas eleições de 2009, quando foi cabeça-de-lista e ganhou. Vai agora para um terceiro mandato, tendo já concorrido pelo caminho à presidência do PSD - perdendo para Passos Coelho, em 2010.

Considera que "a Europa foi um amor sereno que degenerou em paixão" e é com essa paixão que acredita ser possível vencer as europeias deste ano. No entanto, reconhece que esta é uma tarefa árdua.

Com o PS a liderar as sondagens, o candidato social-democrata não perde oportunidades para criticar o cabeça-de-lista socialista, Pedro Marques. Aliás, logo no arranque, Rangel fez questão de denunciar aquela que diz ser a "passividade do [até então] ministro do Planeamento, na negociação dos fundos europeus". Desde então, essa é uma das armas de arremesso recorrentes na corrida eleitoral.

Na Europa, destaque ainda para as funções no Partido Popular Europeu: é um dos vice-presidentes da atual maior família política europeia.

Do fascínio pela astronomia (ou pelo Espaço 1999) ao gosto pelos Guns'n'Roses

Numa entrevista ao Jornal de Negócios, em 2011, confessou que quis ser astrónomo por causa da série Espaço 1999. "Tinha uma enorme admiração pelo Capitão John Koenig e esperava ter uma namorada igual à Dra. Hellen. Mas depois quis ser professor. A coisa que ainda mais gosto de fazer é dar aulas", respondia Rangel à época.

Apesar de admitir o gosto pelas aulas, a política é também uma paixão ardente. Até os cães de estimação, que vem tendo ao longo da vida, tinham personalidade política. Ou, pelo menos, os nomes: foram inspirados em Tocqueville, Montesquieu e John Locke. Já em Portugal (e mais contemporâneos), as referências pessoais passam por Gomes Canotilho, Manuela Ferreira Leite e Francisco Lucas Pires.

Amante de livros e das palavras, gostava de ser diseur. À mesa, é bom garfo e, nas escutas, eclético e até surpreendente. No programa A playlist de... , da TSF, em 2016, confessou que detestava música eletrónica mas, como os gostos mudam, manifestou grande interesse em Axwell Ingrosso. Como também revelou o gosto pelos Guns'n'Roses, uma banda que o marcou muito no final da vida de estudante e entrada no mercado de trabalho, ou os Nirvana, revelando a sua faceta mais grunge.

Para a Europa, leva desta vez a vontade de ter um plano europeu de luta contra o cancro, um papel liderante da União nas questões climáticas e uma verdadeira força europeia de Proteção Civil.

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