Rangel ao ataque. "A mim ninguém me viu a cozinhar cataplana num programa de televisão"

Ao sexto dia de campanha, Cristina Ferreira é chamada à campanha. Paulo Rangel atira-se a Costa relembrando a ida do primeiro-ministro ao programa da Cristina. "Que não venham dar lições do que é a política-espetáculo", sublinha o número 1 do PSD.

"Há uma coisa que António Costa a mim não pode dizer, já que ele está a falar em Paulo Rangel e quer personalizar as coisas, a mim ninguém me viu com a minha família a cozinhar cataplana num programa de televisão". A frase mereceu uma salva de palmas dos apoiantes do PSD em Vila Nova de Famalicão e trocas de olhares entre jornalistas: foi o dia em que a Cristina Ferreira, sem querer e sem saber, entrou na campanha eleitoral. Já lá vamos...

Plateia cheia de jovens sociais-democratas em Vila Nova de Famalicão para uma sessão de perguntas e respostas. Depois de perguntas sobre a Turquia ou sobre populismos, eis que uma voz feminina pergunta como é que Paulo Rangel responde a António Costa quando o acusa de não ter feito nada nos últimos dez anos enquanto eurodeputado.

Rangel mete o modo discurso a que estamos habituados e quebra a regra que havia sido estabelecida das perguntas e respostas curtas. O cabeça de lista do PSD começa a falar do trabalho do PSD na Europa, destacando (como já tem vindo a fazer) a sua ação e a de José Manuel Fernandes na recomendação do Parlamento Europeu para que não sejam cortados fundos para Portugal. Segue acenando com o programa EURES - "foi o PSD que esteve aí" - o Horizonte 2020 - "foi o PSD que esteve aí" - ou até o Plano Juncker.

Depois de acenar com estas bandeiras, chega a tirada da tarde porque, diz Rangel, "as pessoas não podem falar sem consequências". "António Costa no meio desse tipo de política sem elevação e sem serenidade que ele tem feito, há uma coisa que ele tem dito várias vezes e que alguém tem de o confrontar", começa por apontar.

"Ele tem dito algumas vezes que é contra a política espetáculo, até diz isto a propósito dos helicópteros, de termos feito - e muito bem como é obrigação - uma viagem de helicóptero para sobrevoar os territórios incendiados. Aliás, ele fez a mesma viagem antes...", introduz Rangel.

Agora, entram as críticas: "Na quarta-feira começou a época dos fogos e mais de metade dos meios aéreos, entre os quais os helicópteros, não estão aptos para voar. Nós temos a nossa prevenção dos fogos em risco em termos aéreos e ele anda a falar destas coisas. Ele é contra a política espetáculo, contra a política feita para as televisões, contra a política da encenação. Há uma coisa que António Costa a mim não pode dizer, já que ele está a falar em Paulo Rangel e quer personalizar as coisas, a mim ninguém me viu com a minha família a cozinhar cataplana num programa de televisão".

Arranca aplausos e continua dizendo que não está a criticar ninguém por fazê-lo. "Só estou a dizer que não venha falar de política espetáculo quem anda em programas da manhã a cozinhar cataplana e ainda leva a família com ele, não vai sozinho", frisa o candidato social-democrata referindo-se ao facto de António Costa ter participado no Programa da Cristina.

"Que não venham dar lições do que é a política espetáculo porque a mim ninguém me viu a fazer isso. Não viu nem vai ver", garante Paulo Rangel.

José Manuel Fernandes (também) entra ao ataque

Neste sexto dia de campanha eleitoral, marca presença José Manuel Fernandes, o número 3 da lista do PSD. Depois de durante as arruadas (ou "contactos com a população", como agora se chamam...) da manhã ter sido figura de destaque a quebrar gelo com a população, não deixou por dizer o que acha do colega de hemiciclo em Estrasburgo e não poupou nas críticas aos adversários.

Na resposta a uma pergunta sobre a emergência dos populismos, o eurodeputado que irá agora para o terceiro mandato considera que "não há nem bons nem maus ditadores". "Há quem ache que os ditadores de esquerda são bons e os de direita são maus. São ambos ditadores, são maus", nota.

"Também não há bons nem maus extremismos. No Parlamento Europeu, os portugueses deviam saber que, em 95% dos votos, a extrema-esquerda, onde está o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português, alia-se à extrema-direita e vota no mesmo sentido. Aliás, eu já sei como é que eles vão votar o próximo orçamento, eu sei como vão votar tudo aquilo que esteja relacionado com a União Económica e Monetária. Retirando as questões fraturantes, extrema-esquerda e extrema-direita votam exatamente da mesma forma", aponta o deputado europeu.

Mais tarde, em defesa do companheiro de luta nestas eleições, José Manuel Fernandes parte para o ataque aos socialistas. "Há uma coisa que vos garanto: Paulo Rangel nunca desviou dinheiro do interior para dar a regiões mais ricas. Há uma outra coisa que vos garanto: Paulo Rangel nunca esteve de férias e em praias quando Portugal estava todo a arder. Há ainda outra bem mais grave: Portugal recebeu 50,6 milhões de euros que eram para distribuir pelas regiões afetadas pelos incêndios e António Costa e Pedro Marques desviaram 26,5 milhões, mais de metade, para despesas correntes, para comprar computadores, para a GNR, para a secretaria de Estado da Administração Interna. [António Costa] usou a desgraça e uma tragédia para financiar despesas correntes do Orçamento do Estado", acusa José Manuel Fernandes.

Enaltecendo uma vez mais o trabalho dos sociais-democratas na luta contra os cortes nos fundos comunitários e o papel de Paulo Rangel na criação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, José Manuel Fernandes considera que o primeiro-ministro deveria estar agradecido ao PSD.

"Costa devia dizer obrigado aos deputados do PSD porque esses sim estão a defender os interesses de Portugal e a lutar pela coesão", apela José Manuel Fernandes. "Obrigado" não deverá ser, mas a resposta não deve tardar na troca de argumentos entre a caravana socialista e social-democrata.

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