Europeias 2019

Uma Europa mais verde e mais extremista. As surpresas, subidas e quedas na UE

Há surpresas, afirmações, quedas e entradas, naquelas que foram consideradas as eleições Europeias mais importantes da última década. Um pouco por toda a Europa mediram-se forças ideológicas e os resultados trouxeram mudanças ao hemiciclo europeu.

Entre as principais alterações está o facto de a extrema-direita ter aumentado o número de eurodeputados - não tanto como algumas sondagens previam -, mas também os partidos verdes, que reforçaram posição no Parlamento Europeu - inclusive o PAN, que elegeu pela primeira vez um eurodeputado .

A queda das famílias 'tradicionais'

No balanço da noite eleitoral, os gigantes europeus perderam terreno e deram espaço à entrada de uma maior pluralidade no Parlamento Europeu. Um dos derrotados da noite foi o Partido Popular Europeu que, apesar de continuar a ser a força política com mais eurodeputados, perdeu um número de representantes considerável.

Ao contrário do que vinha a acontecer, o resultado destas eleições não permite que a união entre o PPE e o S&D (Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas) gere uma maioria absoluta. Desta forma, os 'grandes' europeus vão precisar de terceiros para verem medidas aprovadas por terceiros.

As famílias políticas 'tradicionais' viram a Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (ALDE) a aproximar-se e a ultrapassar os 100 membros no Parlamento.

O partido de Emmanuel Macron, A República Em Marcha, anunciou que vai unir-se ao Alde, que será rebatizado provisoriamente como ALDE/Renaissance/USR+.

A surpresa da noite tem uma cor: verde

Os partidos ecologistas ganharam força no Parlamento Europeu. Numa altura em que o tema das alterações climáticas está em cima da mesa - com as greves estudantis a ganharem força em todo o mundo -, os Verdes mereceram a confiança de muitos europeus.

Os resultados revelam que os Verdes europeus tiraram o lugar aos Reformistas e Conservadores Europeus, tornando-se a quarta força política da Europa.

Apesar de Portugal ter elegido um eurodeputado do PAN pela primeira vez, as grandes surpresas 'ecológicas' vieram da Alemanha, da Áustria, da Holanda e da Irlanda.

Na Alemanha, os Verdes foram o segundo partido mais votado, enquanto na Áustria conseguiram o terceiro lugar.

Grécia vai ter eleições antecipadas

O resultado das eleições Europeias teve como consequência a marcação de eleições Legislativas na Grécia.

Alexis Tsipras, que viu o seu partido sofrer uma derrota eleitoral, anunciou que vai apelar à realização de eleições "imediatamente", uma ida às urnas que pode acontecer já no final de junho.

Nas urnas, o Syriza foi ultrapassado em mais de dez pontos pela Nova Democracia (ND), a principal força de oposição de direita.

Reino Unido quer (mesmo) sair

O país que vai abandonar a União Europeia deu mais uma prova do que deseja. Os eurocéticos vencem no Reino Unido, com uma vitória do Partido do Brexit com mais de 30%.

O Partido Conservador de Theresa May caiu para o quinto lugar, sendo que tem ainda os Verdes à sua frente.

O crescimento dos eurocéticos

Os europeus abriram a porta ao aumento dos eurocéticos no Parlamento Europeu. Porém, ao contrário do que ambicionavam e do que algumas sondagens corroboravam, estes partidos não têm um número de eurodeputados suficiente para 'bloquearem' votações sozinhos.

Conservadores e Reformistas (ECR), Europa das Nações e das Liberdades (ENL) e Europa da Liberdade e da Democracia Direita (EFDD) representam uma boa parte do hemiciclo, ficando perto da maior família do Parlamento Europeu, mas sem conseguir alcançar o PPE. Além disso, é improvável que estes três grupos políticos se unam num só.

Espanha voltou a aprovar PSOE

O escrutínio europeu serviu para os espanhóis darem mais um voto de confiança ao PSOE, pouco tempo depois das eleições gerais do país.

Este sufrágio serviu ainda para levar o Vox a ter uma posição num Parlamento Europeu com três eurodeputados. Depois de ter sido a grande surpresa das Legislativas, com 10% dos votos, o partido conseguiu agora 6% dos votos, o que contrasta com os 1,5% nas últimas Europeias.

Em Espanha acentuou-se ainda a queda do PP, enquanto o Ciudadanos se afirmou como a terceira força política, com uma subida considerável.

A extrema-direita venceu em França

A União Nacional, de Marine Le Pen, foi a vencedora da noite eleitoral em território francês, ao ficar em primeiro lugar, com uma curta vantagem para o partido de Macron.

Para a história deste escrutínio fica ainda a diluição de influência da UDP, do centro direita, e dos socialistas franceses.

Alemanha e uma das surpresas da noite

A CDU de Angela Merkel venceu as eleições Europeias e, logo a seguir, surgiram os Verdes, com uma subida extraordinária.

No território alemão, há ainda que realçar a queda muito acentuada do SPD, que deixou de ser a segunda força política do país, e a descida da extrema-direita.

Itália e Berlusconi (di nuovo)

O ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi foi eleito para o Parlamento Europeu pelo partido Forza Italia. Aos 82 anos, o ex-primeiro-ministro regressou à política e alcançou o objetivo.

A grande vencedora da noite foi a Liga Norte, de Salvini, com uma brutal subida. O partido passa para 34%.

O partido de Matteo Renzi desce, o Movimento 5 Estrelas consegue o terceiro lugar e, apesar da eleição do ex-primeiro-ministro, também a Forza Italia de Berlusconi desce.

Depois da polémica, a vitória

Depois da suspensão do Fidesz do PPE - apesar de se ter falado de expulsão -, o partido de Viktor Orbán vence as eleições e aumenta a votação.

Na Hungria, a oposição não perdeu muito, a derrota ficou para o partido de extrema-direita do país.

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