Paulo de Morais, o candidato "fora do sistema" que quer "limpar" a política

O fundador da associação cívica Transparência e Integridade é o cabeça de lista pelo partido "Nós, Cidadãos!" e candidata-se por mais "refrescamento" e "transparência" no espaço político.

Tem sido, ao longo dos últimos anos, uma das figuras mais ativas e de maior destaque no combate pela transparência na política e contra a corrupção, e é com esse propósito que Paulo de Morais avança como número um do "Nós, Cidadãos!" na lista para as eleições europeias.

Licenciado em Matemática, professor universitário, ex-vice presidente da Câmara Municipal do Porto e antigo candidato à presidência da República, o economista nascido em Viana do Castelo chegou a ser apresentado como o cabeça de lista da coligação Frente Cívica, constituída pelo partido "Nós, Cidadãos!" e pelo MPT, mas a aliança acabou por ser recusada pelo Tribunal Constitucional.

Crítico do atual estado da política nacional e europeia, nesta que é a primeira vez que se candidata a um lugar em Bruxelas, Paulo de Morais, também fundador da associação cívica "Transparência e Integridade" e atual presidente da associação Frente Cívica - um movimento de cidadãos criado em 2016 e que "promove a reflexão sobre os problemas sociais e políticos que afetam Portugal" -, garante que a candidatura ao Parlamento Europeu tem como objetivo o "reforço de todas as medidas de combate à corrupção, tráfico de influências e branqueamento de capitais" dentro e fora de portas.

"A vida portuguesa precisa de refrescamento e, obviamente, que não é com aqueles que estão enquistados no sistema que se consegue a renovação", diz o candidato, que defende que a candidatura que agora encabeça deve ser vista como mais uma "marca do escrutínio da vida pública, da procura da transparência, do respeito pelos cidadãos".

A "transparência" e a "limpeza" da política como bandeira também na UE

Boa parte daquela que tem sido a mensagem difundida por Paulo de Morais durante a última década pode ser resumida com recurso a uma das frases ditas no final de abril, na apresentação da candidatura. "É preciso limpar a política, que está muito suja, acabar com todos os jogos de interesses que tomaram conta dos grandes partidos e da sociedade".

Presença assídua nos jornais, nas rádios, nas televisões, mas também no mundo digital - e, em particular, nas redes sociais -, além da passagem pelo grupo de trabalho criado pela Transparency International para fazer a revisão do Índice de Perceções da Corrupção, Paulo de Morais tem também no currículo, enquanto perito do Conselho da Europa, a participação em missões internacionais sobre boa governação pública, luta anticorrupção e branqueamento de capitais.

"Temos que combater a contaminação das práticas corruptivas que se estendem ainda à administração pública e a empresas privadas, que constatam ter de entrar em esquemas para sobreviver", lamenta o candidato, que ergue a bandeira da denúncia de situações de "corrupção e promiscuidade" entre os poderes político e económico.

Nas linhas programáticas que quer levar no bolso até Bruxelas, estão ainda propostas como mais dinheiro para os fundos de coesão europeia e a criação de um orçamento europeu com recursos próprios.

Entre as ideias do programa da candidatura - que conta com José Inácio Faria, atual eurodeputado do MPT como número dois - está também, por exemplo, uma maior abertura aos migrantes, propondo-se o fim da "cobardia da política de imigração e asilo da UE" e a "defesa dos direitos humanos e do Estado de Direito, a proteção das pessoas com doença e a diminuição das assimetrias de acesso aos cuidados de saúde".

Um candidato a presidente que concorreu contra Marcelo

Mestre em Comércio Internacional e doutorado em Engenharia e Gestão Industrial pela Universidade do Porto, Paulo Morais foi, no final de 2015, o primeiro a formalizar a candidatura às eleições presidenciais de 2016. Mas, nem essa prontidão na entrega das assinaturas junto do Tribunal Constitucional lhe foi útil na obtenção de um bom resultado no ato eleitoral ganho por Marcelo Rebelo de Sousa - e no qual prometeu lutar contra a "política espetáculo" e por uma "política de convicções".

"Ficou muito aquém do que eu esperaria. Esperava um resultado mais substancial face ao conjunto de causas que defendi durante a campanha", admitiu o candidato que, nessas eleições, recolheu apenas 2,16% dos votos. Um resultado que, ainda assim, serviu para ficar à frente de figuras como Henrique Neto, Jorge Sequeira e Cândido Ferreira. Agora, em 2019, tenta o cargo de eurodeputado, pelo "Nós, Cidadãos!", apoiado pelo Movimento Partido da Terra (MPT).

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