As Europeias servem para avaliar o Governo? PS e PSD não podiam discordar mais

Depois de António Costa ter pedido aos eleitores que votem no PS como forma de avaliação do trabalho no Governo, os candidatos às eleições europeias discutiram a proposta do primeiro-ministro no Fórum TSF.

Paulo Rangel acusa António Costa de estar a "distorcer as eleições europeias". No Fórum TSF, o cabeça de lista do PSD para as eleições ao Parlamento Europeu afirmou que as declarações do primeiro-ministro mostram irresponsabilidade democrática.

António Costa solicitou aos portugueses que mostrem a sua confiança ao Governo através do voto no PS nestas eleições europeias. Um pedido que não caiu bem junto do candidato do PSD.

"Esta afirmação por parte do primeiro-ministro é irresponsável do ponto de vista democrático. As eleições europeias têm várias dimensões, incluindo uma dimensão nacional, mas o seu objetivo principal não é esse", defendeu Paulo Rangel, no Fórum TSF.

"Uma pessoa que quer fazer das eleições europeias um referendo ao Governo está, claramente, a distorcer as eleições europeias", sublinha Paulo Rangel, frisando que este sufrágio não serve para "escolher o futuro Governo".

O cabeça de lista do PS, pelo contrário, considera habitual que seja feita uma "avaliação do trabalho do Governo" nas eleições europeias.

"O que é surpreendente é o incómodo dos partidos da oposição, e desde logo do PSD, em haver resultados para apresentar e avaliar nestas eleições", contrapôs Pedro Marques, no Fórum TSF..

O candidato do PS acusa os sociais-democratas de não terem resultados nem propostas para serem avaliadas: "É muito difícil que estejamos a debater outras coisas que não as propostas do PS para a Europa ou os resultados do Governo do PS aqui em Portugal se a direita não apresenta propostas para a Europa".

Já o candidato do CDS diz que esta avaliação até "pode fazer sentido", uma vez que o Governo de António Costa "é um caso de publicidade enganosa".

"Estas eleições são a primeira oportunidade para se votar contra o Governo do PS, são uma primeira volta das legislativas, se o dr. António Costa assim o quer", reforçou Nuno Melo, no Fórum TSF, lembrando que o CDS é o único partido que já garantiu que "não fará qualquer acordo com o Partido Socialista".

Por sua vez, o PCP e o Bloco de Esquerda, partidos que apoiam o Governo socialista na Assembleia da República, defendem que as eleições devem servir também, mas não só, de avaliação ao Governo. É a ação dos representantes de todos os partidos que está em causa.

"Terá de estar em avaliação nestas eleições não apenas o comportamento do Governo minoritário do Partido Socialista, mas também o comportamento das diferentes forças políticas, no plano nacional e no Parlamento Europeu, sendo que as coisas estão extremamente relacionadas", referiu João Ferreira, cabeça de lista do PCP.

No Fórum TSF, o eurodeputado comunista defendeu que está em cima da mesa um "escrutínio dos eleitores sobre o que cada um andou a fazer".

A cabeça de lista do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, sublinha que o mais importante é avaliar "o trabalho dos deputados do Parlamento Europeu e das propostas que apresentam".

"Provavelmente, ao contrário de muitos dos meus colegas, gostava muito de ser avaliada pelo trabalho que fiz", indicou Marisa Matias, no Fórum TSF, reconhecendo, no entanto, que, por não existir um "debate aprofundado sobre o impacto que a União Europeia tem nas nossas vidas quotidianas", este tende a cair sobre a política nacional.

Mas Marinho e Pinto, candidato do Partido Democrático Republicano, acredita que "o tiro pode sair pela culatra" a António Costa.

"Os partidos que agora estão a apoiar o Partido Socialista devem prestar contas ao eleitorado pelas mentiras e pelas ilusões que andam a vender aos portugueses", exclamou, no Fórum TSF.

Por último, Paulo de Almeida Sande, o cabeça de lista do Aliança, afirma que o partido não tem medo de "ir a jogo neste campeonato" e "avaliar a forma como o Governo geriu as políticas e as oportunidades europeias".

De quem são os louros? E que louros?

A maior crítica apresentada pelo candidato do Aliança é de que os fundos comunitários "não chegam onde devem chegar" - uma responsabilidade que atribui ao Governo.

Uma opinião partilhada pelo ex-partido do líder do Aliança. "No caso dos fundos europeus, o Governo falha completamente. Tem a pior execução de sempre de todos os governos", atira Paulo Rangel, do PSD.

Já o CDS faz questão de sublinhar que, ao contrário do PS e do PSD, os centristas são "contra os impostos europeus, pelo direito de veto na defesa dos nossos direitos vitais e pelo bom aproveitamento dos fundos comunitários", acusando Pedro Marques e António Costa de desperdiçarem milhões de euros destes fundos.

Mas o candidato socialista, Pedro Marques, reforça o sentimento de confiança com que vai a votos: "Queremos fazer na Europa o que fizemos bem, nestes últimos três anos, em Portugal."

Para o cabeça de lista do PS, os eleitores vão "valorizar os 350 mil empregos criados nestes três anos, as 180 mil pessoas arrancadas à pobreza, as contas públicas em ordem e a reposição de rendimentos perdidos na legislatura anterior".

Mas essas são vitórias que os partidos à esquerda reclamam para si.

"Se essa avaliação for feita com base naquilo que era o programa eleitoral do Governo e o que saiu do acordo, obviamente que os partidos da esquerda deveriam sair beneficiados", defendeu Marisa Matias.

"Não me esqueço daquele que era o programa económico do Governo (...), que mantinha ainda um corte de 600 milhões de euros nas pensões, não tinha em vista a restituição dos salários e era muito tímido em relação ao aumento do salário mínimo", relembrou a candidata do Bloco de Esquerda.

E João Ferreira, do Partido Comunista, garante que "toda e cada uma das medidas positivas tomadas nestes anos teve na sua origem a intervenção, o apoio ou a iniciativa do PCP".

Mas ainda há muito mais por fazer. "É fundamental que nestas eleições estejam no centro da discussão as grandes questões nacionais: o problema da valorização do trabalho e do trabalhador (o emprego, os salários, a precariedade laboral), a situação dos serviços públicos e das funções sociais do Estado (a Saúde, a Educação, as políticas de habitação, os transportes), a situação da produção nacional e os níveis de investimento. Tudo isto se relaciona, e muito, com decisões que hoje são tomadas no Parlamento Europeu", concluiu o eurodeputado.

*com Manuel Acácio e Cláudia Arsénio

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