A revolução digital vai conectar 75% da população mundial em 2025

Mais de 60% do PIB global já é digitalizado, impulsionando operações comerciais e assumindo o protagonismo nos modelos de negócios à escala planetária. Os dados do relatório do IDC mostram ainda que os desafios climáticos são os que mais têm a ganhar com as tecnologias inteligentes.

Dos governos às indústrias, passando pelas empresas até ao simples consumidor, não há nada nem ninguém que se possa dar ao luxo de ficar de fora da transição digital. É a revolução em marcha que, acelerada pela pandemia, está a transformar a mobilidade, o consumo, o trabalho ou o entretenimento a uma velocidade vertiginosa. À medida que as questões ambientais se tornam mais urgentes, a Inteligência Artificial, a Internet das coisas (IoT) ou computação em nuvem surgem como soluções para interconectar as smart cities, agilizar as reações perante emergências, reduzir a poluição ou tornar as energias renováveis mais acessíveis.

Mas quais as regiões do globo que se estão a destacar nas tecnologias inteligentes e que setores da economia estão mais bem preparados? As repostas a estas perguntas ajudam também a perceber como será o mundo daqui para frente. É precisamente esse o panorama que a consultora americana International Data Corporation (IDC) procura traçar no seu relatório "A Digitalização do Mundo". O que salta à vista, desde logo, é que nada será igual ao passado dos nossos avós, com a previsão de mais de 75% da população do planeta a interagir em 2025 com dados recolhidos, tratados e armazenados seja por empresas, entidades públicas ou privadas.

O império da China

E é a China que se prepara para se tornar na maior central de recolha e tratamento de dados do mundo. Com um crescimento a rondar os 30% todos os anos, muito impulsionado pela implantação da videovigilância, o país posiciona-se para destronar os Estados Unidos, que, em pouco mais de três anos, cairão de 51% para 31% no armazenamento em nuvem pública. Enquanto isso, a potência chinesa mais do que duplicará a sua capacidade de 6% para 13% em 2025.

Os data centers em nuvens são, aliás, os repositórios de dados mais populares no tecido empresarial, com o IDC a prever que 49% da população mundial terá, em 2025, essa informação armazenada nesses ambientes. Mas nem todos os setores estão preparados ao mesmo nível para a transformação, alerta a consultora em tecnologias inteligentes, colocando as indústrias e os serviços financeiros entre os mais bem equipados por oposição aos media e ao entretenimento.

O que já é mais do que certo é o impacto da transformação digital em todas as áreas da economia e em qualquer parte do mundo. Mais de 60% do PIB global já é digitalizado, impulsionando operações comerciais e assumindo o protagonismo nos negócios das empresas à escala local ou planetária. O estudo do International Data Corporation prevê que a quantidade de dados gerados em 2025 atinja os 175 zettabytes, ou seja, 61 vezes mais do que os valores alcançados em 2018. Para um leigo, as estimativas não dão nem de longe uma noção das quantidades em causa, por isso mesmo, a consultora converteu as métricas em pilhas de DVD capazes de darem a volta à Terra 222 vezes ou subirem até à Lua 23 vezes.

Essa é a informação que sai a todo o momento dos centros de processamento de dados, de smartphones ou dos nossos computadores e que tem servido para o setor empresarial encontrar oportunidades de negócio e suportar as suas estratégias de inovação seja na área da mobilidade, das energias, do urbanismo, das indústrias ou no combate às alterações climáticas. À medida que aumentam a digitalização, as empresas melhoram também os acessos aos produtos e serviços prestados aos seus clientes. E, com isso, o IDC calcula que, devido à escalada de dados nos fluxos de negócios e nas interações da vida privada, quase 30% da totalidade dessa informação estará em 2025 disponível em tempo real. Hoje, mais de cinco mil milhões de consumidores já interagem com dados todos os dias, mas, em menos de cinco anos, esse número subirá para seis mil milhões. Em 2025, diz o IDC, cada pessoa conectada terá pelo menos uma interação digital a cada 18 segundos.

Em benefício da Terra

Está mais do que comprovado o que podem os dados fazer no e-commerce, no streaming analytics ou, sobretudo, no desenvolvimento de tecnologias e avanços das ciências. Mas a grande esperança são as mais-valias para ultrapassar os muitos desafios ambientais com prazos cada vez mais apertados. O relatório "A Quarta Revolução Industrial para a Terra", da consultora PwC, identifica, por outro lado, 80 modos pelos quais as tecnologias de Inteligência Artificial podem ser usadas em benefício do ambiente.

De modelos para otimizar a energia, ao planeamento das smart cities, passando por sistemas de irrigação na agricultura até à redução de emissões de CO2 no transporte, na logística ou na eletricidade, as possibilidades abrem caminhos inovadores para um desenvolvimento mais sustentável e um futuro mais otimista para as gerações seguintes.

As ameaças cibernéticas

Mas abrem também a porta a enormes perigos, como o acesso desigual à Internet, falhas na segurança cibernética e até mesmo danos ambientais com o lixo eletrónico e os produtos químicos produzidos em larga escala a partir da tecnologia digital. Desenvolver a melhor gestão e estrutura de risco digital será, como tal, a única defesa para reduzir ou anular a dimensão dessas ameaças.

Essa é a advertência que surge noutro relatório, desta vez, publicado pela Deloitte. "Gerindo o Risco na Transformação Digital" é a análise que a consultora britânica apresenta para apoiar as empresas a implementar medidas de controlo projetadas de acordo com os seus principais padrões de indústria.

A sua estrutura de risco digital considera 10 áreas, incluindo estratégico, tecnologia, operações, terceiros, regulatório, forense, cibernético, resiliência, fuga de dados e privacidade. Cada um destes domínios assume uma maior importância à medida que a digitalização se aprofunda nas práticas das empresas, adverte a consultora, olhando para diversas estratégias, como monitorização de segurança, arquitetura de rede, segurança de aplicativos, criptografia de dados ou princípios de privacidade.

Apesar de todos os desafios que o digital acarreta, o relatório da Deloitte deixa bem claro que não é mais possível ignorar as oportunidades que a transição digital traz consigo. Mas o sucesso, esse, também depende do nível de preparação de entidades públicas e privadas para minimizar os seus perigos.

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