Carregar veículos elétricos vai ser mais simples e transparente

Planear viagens, saber quanto custa e pagar na hora os carregamentos na rede pública vai ser possível até ao fim do ano, assegura a MOBI.E e a EDP.

A experiência de um utilizador de carro elétrico não é ainda a mesma dos que conduzem uma viatura movida a combustível. Isso é um ponto assente, mas não por muito tempo. A rede pública de carregamentos elétricos está a passar por grandes transformações para facilitar não só o planeamento das viagens, como os gastos nos consumos de energia, feitos em tempo real. Essa é a principal novidade que Alexandre Videira, administrador da MOBI.E e Gustavo Monteiro, administrador executivo da EDP Comercial, trouxeram para a 4ª e última sessão do Portugal Mobi Summit, agora em contagem final para a grande cimeira a acontecer no Centro Cultural de Cascais, nos dias 8 e 9 de outubro.

Atualmente, os condutores de veículos elétricos têm de esperar pelo fim do mês para ver, na fatura da eletricidade, quanto gastaram nos carregamentos. Mas, até ao final do ano e, com os desenvolvimentos que estão a acontecer do lado da MOBI.E, será possível através de uma app ou de um cartão saber quais os preços praticados em todos os postos, e mais ainda. "Os utilizadores poderão também pesquisar os pontos mais próximos da sua localização ou do percurso que pretendem fazer", conta Gustavo Monteiro.

Assim como será possível "muito brevemente" iniciar uma sessão de carregamento com a respetiva autentificação do utilizador e fazer o pagamento na hora ou, em alternativa, saber ao certo o que se irá pagar na fatura de eletricidade. "É já nas próximas semanas que a MOBI.E começa a disponibilizar soluções que vão permitir fazer tudo isso", conta Alexandre Videira. Haverá ainda que esperar por um "período de integração" entre as plataformas dos comercializadores e da empresa pública. Será, portanto, uma fase de transição que estará concluída ao longo dos próximos três meses.

Mas, até ao final do ano, qualquer utilizador - mesmo aquele sem contrato com uma operadora de energia para a mobilidade elétrica - poderá, por fim, carregar o seu veículo e pagar na hora a despesa com cartão de crédito. "É uma porta que se abre para que outros players entrem no mercado português, disponibilizando vários tipos de soluções de pagamento", diz o administrador da MOBI.E, destacando o interesse já demonstrado por diversos agentes internacionais em operar também no território nacional.

Será, portanto, não só uma mudança para os residentes em Portugal, como também para os estrangeiros que visitam o país, que vão poder usar os postos de carregamento elétrico com o recurso a cartão de crédito ou através dos contratos estabelecidos com as comercializadoras dos seus próprios países.

O regresso das emissões

Este poderá ser mais um empurrão para a mobilidade elétrica voltar a subir, após a pandemia e, em especial, o confinamento ter paralisado a sua evolução. "Depois de uma queda muito grande em abril, os valores têm vindo agora a crescer, mas não ao nível das utilizações registadas em janeiro e fevereiro", explica Alexandre Videira.

O que regressou "praticamente" aos índices da pré-pandemia foram as emissões de dióxido de carbono, mas tal não surpreende os convidados desta 4ª sessão do PMS 2020. "As profundas mudanças que ocorreram nas nossas cidades durante os meses de confinamento, além de bruscas, não foram sustentadas com medidas de médio e longo prazo para que pudessem perdurar com retoma da economia", defende Gustavo Monteiro. Não se está, no entanto, perante uma oportunidade perdida, avisa o administrador executivo da EDP Comercial. Mas antes diante de uma oportunidade única para ver "como as mudanças de comportamento são possíveis e produzem efeitos rápidos".

Esse será o aspeto mais importante, destaca também Alexandre Videira, acreditando que o impacto ambiental do confinamento foi tão visível, que mudou a perceção que se tinha da mobilidade e dos seus efeitos quase imediatos na qualidade de vida das cidades: "E isso pode provocar grandes alterações na consciência das pessoas com resultados palpáveis nos próximos anos", remata o administrador da MOBI.E.

(Veja tudo sobre mobilidade e o Portugal Mobi Summit em www.portugalms.com)

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