Carros vão ganhar terreno no pós-pandemia até para longas distâncias

As tendências de mobilidade marcaram a primeira sessão do PMS21, com os especialistas a apontar os veículos elétricos como o segmento a crescer mais nas deslocações dentro e fora das cidades.

A Covid-19 revirou hábitos e formas de viver a cidade, mas será que as escolhas que agora fazemos terão impacto na mobilidade depois da pandemia? A pergunta é inevitável e, por isso, marcou esta manhã a primeira sessão do Portugal Mobi Summit 2021 que, a partir dos estúdios da TSF, juntou Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, Vera Pinto Pereira, CEO da EDP Comercial, Eduardo Ramos, administrador executivo da Brisa e José Rui Felizardo, CEO do CEiiA - Centro de Engenharia e Desenvolvimento.

A avaliar pelos dados do barómetro da EDP, o automóvel particular está de regresso e veio para ficar. "Cerca de 40% dos inquiridos pensam continuar, no futuro, a evitar os transportes públicos e os jovens, que antes não pensavam adquirir viatura própria, voltaram a equacionar a hipótese", revela Vera Pinto Pereira. A tendência, aliás, é para o carro assumir maior importância nas longas distâncias, substituindo o avião e o comboio, defende a responsável.

A grande mudança, porém, está na atitude perante a mobilidade: "Assistimos agora a uma consciencialização muito maior com a pegada de carbono, comportamento que se reflete na adoção de modos de transporte mais amigos do ambiente", acrescentou, por seu turno, Eduardo Ramos. Razão essa que, segundo a CEO da EDP Comercial, explica também o retorno das longas viagens percorridas em veículos individuais com consequentes implicações nos padrões de carregamento elétricos. Não será por acaso o objetivo da Brisa em completar esta rede até ao final do ano: "Teremos 24 carregadores super rápidos até julho e vamos continuar a investir à medida que sobe também a venda de veículos elétricos", assegura o administrador executivo da Brisa.

O espaço do transporte público

Embora as tendências já apontem alguns possíveis caminhos, tentar perspetivar "que mundo irá emergir da pandemia" é ainda um exercício arriscado, adverte o presidente da Câmara Municipal de Cascais: "Acho que nos sentimos todos como ratinhos dentro de um grande laboratório a testar novas experiências a toda a hora." O momento é de rotura - diz Carlos Carreiras - e o foco deverá estar apontado sobretudo para as "pandemias social e económica" que se vão prolongar por muito mais tempo, adverte o autarca.

As medidas de apoio às populações deverão, como tal, ser a prioridade, bem como o reforço dos transportes coletivos que precisam reconquistar o seu espaço: "Cascais não é diferente do resto do país e também nós aproveitámos este período de confinamento para promover não só o uso da bicicleta, como dos transportes públicos rodoviários que, em virtude da conclusão do concurso internacional, serão gratuitos a partir de 25 de maio, duplicando a oferta no concelho."

Em busca do tempo perdido

Por mais alterações que a pandemia tenha provocado, Eduardo Ramos relembra que o "desejo" de as famílias, amigos e colegas estarem juntos não irá desaparecer. O medo com temos encarado as deslocações reduzir-se-á à medida que o programa de vacinação avançar - avisa o administrador executivo da Brisa - e a mobilidade ganhará um grande crescimento, com as pessoas a tentarem "recuperar o tempo perdido".

Esse é um ponto a ter em conta ao qual se deverá acrescentar o boom do comércio eletrónico a trazer desafios adicionais para a circulação dentro das cidades. As bicicletas e as trotinetes elétricas tiveram, entretanto, um novo impulso e agora é preciso acautelar como todos estes modos "suaves e menos suaves" vão conviver nos centros urbanos: "É um tema que nos preocupa, enquanto grupo Brisa, desde logo porque é a sinistralidade e a vida das pessoas que estão em causa", alerta Eduardo Ramos, olhando para as novas tecnologias como "uma ajuda" na pesquisa de soluções que permitam essa convivência em segurança.

A mudança do fóssil para as energias renováveis está em curso e é a tendência que não vai recuar. Mais do que isso, acredita José Rui Felizardo, é algo "transformacional" a desencadear novas formas de mobilidade suportadas em modelos de negócio inovadores. "É dentro desta lógica entre compensar as emissões geradas com as emissões evitadas que irão nascer mais soluções de mobilidade dentro das cidades" defende o CEO do CEiiA, relembrando a recente parceria do centro de engenharia de Matosinhos com a Google para promover a plataforma Ayr em cidades de todo o mundo. A sustentabilidade ambiental já não está unicamente circunscrita aos orçamentos de marketing das empresas, defende o especialista: "É antes uma estratégia central dos futuros modelos de negócio que irão valorizar determinado tipo de ativos e de comportamentos."

Veja tudo sobre mobilidade e o Portugal Mobi Summit em www.portugalms.com.

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