Comboio continuará a ser o transporte rei apesar de todas as novas tendências

Área metropolitana vai ter duas linhas de metro à superfície, em Loures e Odivelas, enquanto Cascais poderá ter luz verde para um corredor de transporte público na A-5.

Por muito que evoluam os modelos de mobilidade urbana, o transporte ferroviário será sempre o eixo central do transporte coletivo de massas. "O comboio tem um papel importantíssimo, é certo que faz parte de um ecossistema complexo, mas a ferrovia é a mola", disse o secretário de Estado da Infraestruturas, Jorge Delgado, esta quinta-feira na sessão VIII do Portugal Mobi Summit, dedicada ao papel da ferrovia na mobilidade sustentável.

O responsável lembrou que apesar do grande crescimento da mobilidade elétrica e de outros modos da chamada mobilidade suave, como as bicicletas ou as trotinetes, o desafio principal para reduzir o trânsito nas cidades continua a ser migrar as pessoas do transporte individual para o transporte público.

Falando essencialmente das grandes áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, o governante referiu, no que diz respeito ao interior - com capitais de distrito como Viseu ainda sem acesso a comboio - que o Plano Ferroviário Nacional, inscrito no Orçamento do Estado de 2021 vai abordar esses territórios através de "um debate alargado com todas as regiões e entidades envolvidas".

Participando na sessão enquanto presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras começou por queixar-se do atraso a que tem sido votada a Linha de Cascais por vários governos e por criticar a divisão das áreas da mobilidade pelos ministérios do Ambiente e das Infraestruturas, mas acabou por elogiar a nova dinâmica do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos.

Defensor não apenas da modernização da linha, mas de um modelo complementar ao comboio para garantir a mobilidade de uma parte da população do concelho que não é eficazmente servida pela linha existente, Carlos Carreiras afirmou que "felizmente Pedro Nuno Santos entendeu bem a importância do processo".

Corredor na A-5 para transporte público é viável

Em causa está, para o autarca social-democrata, a criação de uma linha de transporte público em espaço dedicado, na A-5 (autoestrada que liga Cascais a Lisboa) e a funcionar como um corredor de transporte rodoviário de passageiros, com ligação à Segunda Circular. O processo de negociação com a concessionária da A-5 já está encaminhado, a crer das declarações do autarca. O próprio secretário de Estado das Infraestruturas também diz que "esta ideia partilhada com a Câmara de Cascais está no nosso horizonte" e "há espaço para esse investimento entrar na equação" das negociações com a concessionária.

Ainda segundo Carlos Carreiras, há estudos que indicam que essa nova linha poderia chegar à segunda circular, a Odivelas, Loures e, até Vila Franca de Xira.

Para Carreiras, só uma solução deste género permite retirar carros da cidade de Lisboa (partindo do princípio que não se vai construir outra linha de comboio no meio da cidade).

Por essa razão mostrou-se crítico dos investimentos recentemente feitos na área dos transportes no município de Lisboa, sem uma lógica de complementaridade com os concelhos vizinhos. "Não vale a pena fazer investimentos em transportes públicos só na cidade, se isso não evitar que continuem a entrar milhares de carro por dia em Lisboa", referiu. "É uma estratégia errada que beneficia um só município em prejuízo de todos os outros".

Loures aposta em metro de superfície

O presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares, cujo concelho continua a não ser servido por ligação ferroviária, apesar de esta já ter sido prometida há décadas, também é defensor da inevitabilidade de uma ligação rápida para o transporte de massas, se o objetivo é evitar a circulação rodoviária e o risco ambiental que tal comporta. É nesse sentido que está previsto o projeto do metro ligeiro de superfície, em conjunto com o município de Odivelas.

Bernardino Soares refere que o concelho conflui a norte com a Linha da Azambuja, que "está profundamente congestionada". Estão programadas duas linhas, uma no lado oriental que cobre Santa Apolónia e Sacavém e outra na zona norte, sendo que o investimento será abrangido pelo Plano de Recuperação e Resiliência, especificou o autarca de Loures.

Segundo Bernadino Soares, desde 2001 que a utilização de transporte privado tem vindo a aumentar no concelho, representando mais de 60% das deslocações pendulares da população do concelho, que é um dos mais populosos do país.

Para o autarca comunista, isto acontece "porque não foram criadas condições" para tornar o transporte coletivo atrativo e, noutros casos, porque não se investiu. A descida dos preços dos passes sociais nas áreas metropolitanas, apesar de positiva, acabou por ter o seu impacto neutralizado com a pandemia.

Sobre a questão da gestão das novas linhas de metro ligeiro de superfície, Bernardino Soares não tem dúvidas de que deve ser o Metro a gerir. Já no que diz respeito à ferrovia a nível nacional "olhando para o interesse nacional e regional é preciso muito cuidado com o desmembramento da CP", avisou. Reconheceu, porém, que esse cenário já foi mais premente no passado do que agora.

Carlos Carreiras partilhou da opinião do seu colega de Loures relativamente à CP. Já a nível municipal, anunciou que o novo operador, que ganhou o concurso público - entretanto impugnado - vai estar em condições para garantir, a partir de maio, o transporte rodoviário no concelho de Cascais que, desde o início deste ano, é gratuito para munícipes, trabalhadores e estudantes. O edil de Cascais lamenta que outros concelhos não adotem a gratuidade do transporte rodoviário, porque é um importante contributo para a descarbonização e para reduzir o trânsito nas cidades, concluiu.

Veja tudo sobre mobilidade e o Portugal Mobi Summit em www.portugalms.com

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