Em dez anos tudo vai mudar na mobilidade em Portugal

Até 2032, os automóveis serão cada menos individuais e mais partilhados numa lógica de 'táxi on demand'. Os autónomos estão mesmo à esquina, mas o que já é certa e irreversível é a era da mobilidade elétrica que em Portugal está em plena explosão.

Tentar antecipar o que vai mudar na maneira como nos movemos dentro e fora das cidades no espaço de uma década é difícil. Em 30 anos, ainda mais. Mas uma certeza está a fazer o seu caminho e essa é de que a mobilidade elétrica é a tecnologia da nova era. E também a inteligência artificial quer criar veículos autónomos que andem sozinhos. Como dizia esta semana Lennart Verheigen, diretor de inovação da GreenFlux, "ninguém no seu perfeito juízo vai querer comprar um carro a combustão em 2030, até porque é uma melhor experiência e com menos custos".

O especialista holandês em soluções digitais de carregamento falava na terceira sessão do Portugal Mobi Summit, onde ficou claro que "já entrámos mesmo na era da transição energética em Portugal e estamos a assistir a um verdadeiro 'boom' da mobilidade elétrica", concordaram os oradores convidados.

Os números não mentem: as vendas de veículos elétricos continuam a subir acima da média do mercado, em torno dos 20% ao ano, a rede de carregamento público cresce 59%, acima da média da UE, e no mercado aparecem cada vez mais soluções de carregamento para a casa, escritório ou em estrada que facilitam e incentivam a experiência elétrica.

Se Portugal pontuava mal há dois ou três anos na amplitude da sua rede pública de carregamento por veículo elétrico, inverteu a trajetória e está agora no pelotão da frente da União Europeia com 5500 pontos disponíveis.

Para lá da transformação de fundo na fonte energética, os especialistas antecipam para breve, até 2030, a generalização da mobilidade autónoma e a grande revolução nas mentalidades, que passará por um abandono progressivo do carro individual. Os veículos serão usados não para estarem 90% do tempo estacionados como hoje acontece, mas para estarem a circular transportando múltiplos passageiros numa lógica de 'taxi on demand', considera Pedro Vinagre, administrador da EDP Comercial.

Há mesmo quem seja mais radical nas previsões. "Em breve ninguém precisará de transporte individual, nem na América nem em África, e, sim, os bilhetes de avião para ir à Lua serão acessíveis à classe média", sustenta Adetayo Bamiduro, presidente de uma startup nigeriana na área da mobilidade inteligente.

São mudanças que sugerem todo um mundo novo onde quase que basta pensar numa solução para um problema e ela mais cedo ou mais tarde aparecerá. É isso mesmo que está, por exemplo, a acontecer com o problema das emissões de dióxido de carbono e as fábricas que entretanto já estão a ser criadas para capturar o CO2 da atmosfera e reciclá-lo. Exemplos disso mesmo são empresas que desenvolveram a inovadora tecnologia como a canadiana Carbon Engeneering ou a ClimateWorks que tem uma fundação para apoiar esta causa.

A fé na inovação tecnológica é quase a única coisa que nos pode salvar da descrença na inversão dos danos climáticos e ambientais. Isso e o pragmatismo de políticas ambientais como a que está, por exemplo, a ser seguida na Nova Zelândia, onde o Governo tem um plano de 4,5 mil milhões de dólares para apoiar a aquisição de veículos verdes pelas famílias até 2035, com o objetivo de retirar 180 mil veículos a combustão das estradas.

São temas abordados nesta semana no Portugal Mobi Summit.

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