"Haverá cada vez mais pessoas a organizar a sua vida sem carro"

O futuro da mobilidade em Portugal passará por menos carros a circularem dentro das cidades e a serem usados apenas para "lazer" e pela adoção do conceito de "cidade de 10 minutos". Tal cenário só será possível se câmaras e empresas de transportes criarem condições e investirem, o que implicará "decisões difíceis".

Num exercício de futurologia, os três oradores do painel "O mundo híbrido e a procura futura por mobilidade" não arriscaram muitos cenários de como será a mobilidade daqui a dez anos, mas todos imaginam menos carros a circular no centro das cidades, mais pessoas a andarem a pé, bicicletas e modos de transportes suaves.

Apesar das previsões mostrarem que "o carro próprio irá ter um crescimento até 2036, com 1,5 mil milhões de veículos no mundo e 250 milhões na Europa", e já se tendo registado um aumento de 800 mil carros em Portugal, entre 2015 e 2020, Nuno Inácio, Ride-Hailing Country Manager da Bolt Portugal, garantiu que "as novas gerações estão cada vez mais a mudar para modos de transporte suaves e partilhados".

Além disso, os números dizem que "entre 2011 e 2021 houve uma queda de 33% de pessoas, entre os 18 e 19 anos, que tiram a carta de condução", o que levou Nuno Inácio a concluir que "haverá cada vez mais pessoas que irão organizar a sua vida sem carro próprio". "O serviço partilhado já é visto por esta geração como algo natural", constatou.

Nuno Nunes, CSO B2B da Altice Portugal, defendeu que "não podemos alimentar a narrativa que o "core" da mobilidade na cidade vai continuar a ser o carro".

"Qualquer política de mobilidade futura, por muito que custe e vai custar-nos a todos um pouco, mas esse é que é o dever do setor político, será encontrar alternativas sem o carro ou com menos carros, continuando a ter um modo de vida confortável", considerou Nuno Nunes, que acredita que o carro passará a ter "uma utilização de lazer, recreativa".

Sofia Tenreiro, líder do setor Energy, Resources & Industrials da Deloitte Portugal, acredita que o futuro passará pela "cidade dos 10 minutos", "garantindo que ao pé de nossa casa temos todos os serviços que precisamos", mas, frisou, esta mudança exige "decisões difíceis por parte das entidades" e "maior cooperação entre elas".

"Implica que as câmaras criem condições e façam investimentos, que as empresas de transportes, metro e Carris, invistam numa renovação do seu parque de veículos, em sensorização, em dados e em 5G para garantir que todas estas comunicações acontecem em tempo real", explicou.

A líder do setor Energy, Resources & Industrials da Deloitte Portugal disse ainda que "vai haver cada vez mais necessidade de mobilidade de pessoas e mercadorias".

"A pandemia veio acelerar muito isso. As gerações que não compravam tanto online passaram a fazê-lo. Houve um aumento das compras online que se manteve pós-pandemia", lembrou, acrescentando que "é claramente uma tendência a aumentar bastante".

Os três oradores partilharam ainda a importância da "partilha de dados" para a criação de soluções de mobilidade melhores e Nuno Nunes lembrou que a Altice já tem uma ferramenta que reúne informações sobre o fluxo de pessoas, entre outras, que poderá também ajudar neste processo de mudança para um mundo mais sustentável.

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