Lisboa avança com transportes gratuitos para jovens e idosos a partir de setembro

Depois da aprovação em reunião de Câmara e assembleia municipal, os transportes gratuitos para jovens estudantes e residentes em Lisboa e idosos a partir dos 65 anos entrarão em vigor a partir de setembro e outubro, respetivamente, avançou Carlos Moedas no debate do Portugal Mobi Summit.

Em entrevista após o debate do Portugal Mobi Summit (MPS), no Museu da Eletricidade, em Lisboa, o presidente da autarquia, Carlos Moedas, avançou finalmente com uma altura mais concreta para a entrada em vigor dos transportes públicos gratuitos para jovens estudantes e residentes em Lisboa até aos 23 anos e para idosos a partir dos 65 anos: "Vamos ter já a medida em vigor para os jovens no princípio do ano letivo, em setembro, e para os mais velhos a partir dos 65 anos no mês de outubro, mais ou menos. Estamos a falar de um esforço conjunto da Câmara com os transportes metropolitanos de Lisboa, ou seja, com o Metro, a Fertagus e a CP. Portanto, tudo isto já foi aprovado em reunião de Câmara e Assembleia Municipal e, a seguir ao verão, eu diria que conseguimos que tecnicamente aconteça".

O debate do Portugal Mobi Summit juntou à mesma mesa os autarcas de Lisboa e Cascais e os líderes da EDP Comercial, Brisa, Lidl e Fidelidade. Na entrevista após o debate, Carlos Moedas voltou a colocar a tónica na mobilidade como "um dos maiores desafios das cidades". "Sabemos que temos de caminhar para um mundo com menos carbono. Significa uma mobilidade mais suave, mais elétrica e menos fóssil. Por exemplo, Lisboa vai ser uma das primeiras capitais da Europa com transportes gratuitos para os mais novos e para os mais velhos. Essa é uma das medidas importantes para criar hábitos", frisou.

Outra frente em que a autarquia está a atuar, para ter resultados em demover quem vive e/ou trabalha em Lisboa de trazer o carro para dentro da capital, é na construção de parques dissuasores à entrada da cidade, na área metropolitana, mas que serão pagos pelos utilizadores a um preço "simbólico", garantiu Moedas ao PMS. "Estamos neste momento a falar com todas as autarquias que são vizinhas, desde Oeiras, Odivelas, Loures, para construir parques dissuasores. Estamos também a construir um em Alvalade. Para conseguir que as pessoas quando entrem na cidade deixem aí o carro, mas terão de pagar muito pouco, ou seja, deixam o dia todo e pagam uma quantia simbólica. Se não for assim, as pessoas não deixam o carro porque é muito caro."

A Câmara de Lisboa está "agora a lançar o plano com os vários pontos onde vamos fazer esses parques dissuasores", adiantou o autarca.

Carlos Moedas reconhece que a Grande Lisboa tem um problema sério, na frequência e eficiência dos transportes públicos, e que isso não tem sido motivador para os lisboetas deixarem de usar o automóvel. "Os transportes têm de ser mais eficientes. Temos de ter maior número de autocarros, o metro tem de cobrir outras partes da cidade. Por exemplo, a parte ocidental da cidade estava muito mal servida, agora finalmente vamos ter a linha vermelha que vai até Alcântara. O que acontece nas cidades em que as pessoas utilizam mais os transportes públicos são estes dois fatores: mais oferta, por um lado, e também uma maior facilidade em termos de preço, sobretudo para os mais novos e para os mais velhos."

O autarca quer "continuar a investir na mobilidade suave, mas uma mobilidade que não crie fricção nas pessoas da cidade, não podemos, de um dia para o outro, acabar com os carros, fechar as ruas, não o podemos fazer, e, portanto, vamos ter de trabalhar numa cidade que é sempre uma gestão de conflitos entre uns que querem ir de carro, outros de autocarro, outros querem ir de bicicleta e outros vão a pé. Portanto, a cidade tem de ter espaço para isso e é no desenho do espaço que estamos a trabalhar".

E voltou ao tema polémico de se fechar a Avenida da Liberdade aos domingos e feriados para sublinhar, mais uma vez, que é contra. "Podemos ter experiências de fechar determinados quarteirões aos domingos e feriados, mas vias como a Avenida da Liberdade acho muito mais complicado, aí não estou de acordo", concluiu.

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