Navios elétricos em 2023 e mil autocarros a hidrogénio: as apostas do Governo na mobilidade

Um investimento no transporte fluvial, com a renovação da frota para navios elétricos já a partir de 2023, e o financiamento de mais de mil autocarros movidos a hidrogénio são os novos eixos da política do setor, anunciados pelo secretário de Estado da Mobilidade, Jorge Delgado, no encerramento do Portugal Mobi Summit

A mobilidade urbana é mesmo a "área central da ação do Governo", como foi assumido na quarta-feira pelo ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, no Portugal Mobi Summit. Na mesma linha, o secretário de Estado que tutela essa área-chave anunciou, no encerramento do maior evento de mobilidade do país, as duas apostas do Executivo no setor: navios elétricos e autocarros movidos a hidrogénio.

"Financiámos mais de mil novos autocarros a hidrogénio que em breve estarão a circular, também no transporte fluvial em Lisboa estamos a investir na renovação de navios elétricos que a partir de 2023 estarão a funcionar", afirmou Jorge Delgado.

O secretário de Estado da Mobilidade lembrou que as políticas vão na esteira do "roteiro para a neutralidade carbónica 2050" que o país aprovou.

Afinal, como frisou o ministro Duarte Cordeiro na sua intervenção no Portugal Mobi Summit, desde 2015 que o Governo já investiu "2% do PIB na área da mobilidade", tendo revelado que estão em curso investimentos de 3,5 mil milhões de euros nas políticas do setor.

Um dos focos do Executivo foi a Estratégia Nacional de Mobilidade Ativa ciclável, como lembrou o secretário de Estado Jorge Delgado. "Na semana passada aprovámos, em complemento à estratégia, começar a definir um plano de ação para as pessoas se convencerem de que andar a pé é bom. Só há seis países que que elaboraram esta estratégia até hoje, somos o sétimo a fazê-lo."

Jorge Delgado lembrou também outro setor onde Portugal está à frente. "Na mobilidade elétrica fomos pioneiros, temos uma rede elogiada por todos os parceiros europeus. No momento em que todas as orientações europeias vão no sentido de definir regras para as redes de carregamento, verificamos que são miméticas das nossas."

A rede nacional "tem já mais de 6 mil pontos de carregamento, em média estão ser instalados 23 postos por semana, 58 tomadas por cada 100 mil habitantes. Números para a escala que temos de 200 mil veículos elétricos", sublinhou o secretário de Estado.

"Portugal é o quarto país europeu com mais pontos de carregamento por quilómetro de estrada, num crescimento a uma taxa de 60% ao ano. Servem os incentivos que temos dado para o apoio às mercadorias e logística, de 6 mil euros, e o apoio a condomínios com 1800 euros por cada posto de instalação". Um mercado que, ainda assim, "está longe da maturidade", ressalvou.

Os desafios para Portugal cumprir o roteiro da neutralidade carbónica em 2050 são enormes. "Temos de começar por evitar viagens desnecessárias. A Covid mostrou que podemos trabalhar de outra maneira e também com uma reestruturação do tecido urbano; a cidade dos 15 minutos que foi aqui referida, e também a coordenação dos diferentes transportes. Temos de transferir deslocações e atrair mais pessoas para o transporte público e também para os modos partilhados e ativos de mobilidade, também através da redução tarifária."

Jorge Delgado salientou ainda que é preciso "melhorar a eficiência energética dos nossos veículos e adotar medidas de apoio à aquisição de elétricos, transformar as frotas dos nossos transportes públicos e ter alternativas mais verdes para nos movermos".

Desde 2015 que Portugal está a trabalhar nessa perspetiva, referiu. Da expansão da rede de transportes pesados, como a rede de metro, para onde estão alocados 1,7 mil milhões de euros, até ao apoio tarifário, que permitiu a redução do preço dos passes sociais, os exemplos são muitos. Só a descida do custo dos passes para 30 e 40 euros nas áreas metropolitanas custou 1,2 mil milhões de euros, como referiu no Portugal Mobi Summit o ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro. Que também avançou com um dado impressionante na cimeira da mobilidade: "Desde 2015 investimos 4,3 mil milhões de euros na área da mobilidade, o que corresponde a 2% do PIB nacional".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de