Quando um vírus nos conduz à era da mobilidade digital

Repensar a mobilidade num contexto de pandemia é o ponto de partida do Portugal Mobi Summit 2020, que arranca esta semana num formato digital. A iniciativa do Global Media Group e da EDP vai dar a volta ao mundo, que afinal se pode ligar, não por avião, mas nas plataformas digitais.

Nada ficará como antes na mobilidade das pessoas e das empresas, após a pandemia covid-19. Esta foi a primeira área a sofrer uma travagem a fundo, com o confinamento obrigatório de milhões de pessoas, e será a última a recuperar a total normalidade. Entretanto, o recurso massivo ao teletrabalho veio revelar que, afinal, a nova mobilidade será mais digital e que "o novo normal" terá de passar por soluções de transporte mais amigas do ambiente. Não só as metas do clima o exigem como já ninguém quer voltar à poluição urbana da época pré-covid. E o transporte público? Quando voltará a ser atrativo?

É neste contexto de grandes interrogações que arranca a terceira edição do Portugal Mobi Summit, uma iniciativa do Global Media Group e da EDP, que assumirá, até julho, um perfil 100% digital e recupera, em Outubro, o palco da Nova SBE em Carcavelos, para a cimeira internacional.

Até lá "teremos uma série de eventos online, nas diferentes marcas do GMG, como debates, webinar e entrevistas, com convidados internacionais de referência em temas como a mobilidade sustentável, a transição energética e digital, o 5G, a IoT ou a micromobilidade e a forma como estão redesenhar o ecossistema urbano", referiu o administrador do Global Media Group, Afonso Camões.

"É um projeto que afirma Portugal como centro de pensamento, investigação e desenvolvimento a nível global na área da mobilidade", sublinhou o administrador, que atribui o sucesso das edições anteriores a parcerias sólidas. "Em primeiro lugar a EDP, cuja sinergia com o GMG tem sido decisiva para o sucesso deste evento desde o arranque, em 2018". Depois, adiantou, "é para nós um sinal de confiança mantermos as parcerias com a Via Verde, a Volkswagen, o CEiiA, e com a Câmara Municipal de Cascais, com a qual temos protocolo firmado até 2021".

É de futuro que se vai falar, ao mesmo tempo que ele nos bate à porta mais cedo do que prevíamos. "Um futuro que depende, mais do que nunca, da nossa aposta na transição energética, alinhada com os grandes objetivos de combate às alterações climáticas e de sustentabilidade, e com a capacidade de criar emprego, mobilizar a cooperação e gerar inovação", resume a presidente executiva da EDP Comercial.

Vera Pinto Pereira garante que a empresa "está totalmente comprometida com esta visão, algo que voltou a reforçar ao ser a única empresa portuguesa a subscrever a aliança Green Recovery, em defesa de uma "recuperação verde" da economia europeia". Neste sentido, prossegue, "vamos continuar a apostar na mobilidade elétrica, através da criação de uma rede de carregamento pública e privada", e, "alinhados com os objetivos da Comissão Europeia, queremos contribuir ativamente para que a Europa consiga ter um milhão de pontos de carregamento elétrico até 2025".

Esse é também o caminho da Volkswagen, que mantém o objetivo de mobilidade elétrica para todos com emissões zero. "Esta área continua a abrir novos desafios, e no atual contexto, torna-se ainda mais importante revisitar este conceito e até paradigmas que ontem eram verdade e hoje já não o são. Para a VW, a mobilidade individual assume no novo normal, um papel ainda mais importante e merece debate", observa o diretor-geral da Volkswagen. Ao reforçar a sua parceria com o Portugal Mobi Summit " a marca encontra nele um laboratório cada vez mais credível, e um evento que - pela sua relevância e profissionalismo - tem ganho protagonismo, juntando os maiores especialistas", considera Licínio Almeida.

Também o presidente do conselho de administração da Brisa, Vasco de Mello, vê a mobilidade como "um fator crítico de crescimento económico e de desenvolvimento social, que terá um papel ainda mais decisivo no enorme desafio que a crise provocada pela pandemia coloca à nossa resiliência".

Em Cascais, enquanto município anfitrião e smart city, "temos consciência que tudo começa na mobilidade, esta é a visão do nosso Executivo replicada no sistema único de mobilidade integrada, o MobiCascais," lembra o presidente do Conselho de Administração da Cascais Próxima. "Não só juntámos todos os meios de transporte numa única aplicação de forma pioneira como oferecemos agora mobilidade gratuita a todos os residentes, estudantes e trabalhadores", exemplifica Miguel Casaca. "Queremos estar na vanguarda e o PMS é o palco ideal para partilhar experiências e procurar colaborações", resumiu.

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