Castanheira de Pera é ainda um concelho deprimido

A memória dos incêndios está ainda muito fresca nos habitantes de Castanheira de Pera. Foram vários os habitantes que entraram na unidade móvel da Ordem dos Enfermeiros ao longo do dia de domingo.

Muitos queixavam-se à saída que o principal problema com que lidavam era mesmo a depressão: alguns porque foram afetados diretamente pelos incêndios de junho deste ano. Outros porque o foram indiretamente. Todos eles tinham alguém que perdeu muito. A sociedade reergue-se das cinzas, "mas não está fácil".

A confirmação deste cenário surge pela enfermeira Isabel Gonçalves: "Vimos muita gente com depressão, que poderá ter relação direta com os incêndios, e vimos também alguns casos de lutos mal resolvidos".

O que agrava a situação, na opinião da enfermeira do serviço de Saúde Pública do ACES - Agrupamento de Centros de Saúde Feira - Arouca, é o facto de haver muita gente no concelho de Castanheira de Pera sem médico de família.

"Se não temos técnicos no terreno como tratamos dos problemas desta população?", lança a questão que fica sem resposta. Houve ainda casos de alcoolismo detetados e de obesidade. Estados físicos que influenciam o estado emocional.

"Não podemos diferenciar o estado físico do estado emocional, uma pessoa em depressão está muito mais suscetível a danos na sua saúde", acrescenta.

Também a enfermeira Paula Rodrigues partilha a mesma opinião. "É uma população ainda muito triste com aquilo que aconteceu com os incêndios. A maior parte das pessoas não tem acesso a bons cuidados de família, há muita gente sem médico de família atribuído". E depois, no que diz respeito à enfermagem existe apenas um enfermeiro em todo o centro de saúde. "O papel do enfermeiro aqui é muito importante. Se cada enfermeiro tivesse um número fixo de habitantes poderia fazer um trabalho direcionado. Mas, pelo que percebi aqui há apenas um enfermeiro e não tem tempo para dar assistência a todas as famílias", acrescenta.

Uma situação pouco favorável.

Quanto aos rastreios na unidade móvel, a adesão foi significativa. Houve quase sempre fila de espera à porta da carrinha, com as pessoas a saírem satisfeitas depois de rastrearem alguns fatores como a glicemia, o colesterol e a tensão arterial. "Deviam vir mais vezes", disseram muitos.

Depois de Castanheira de Pera, o "Ninguém está sozinho" segue para o concelho da Sertã.

Ao longo de todo o dia, a Câmara Municipal de Castanheira de Pera disponibilizou um miniautocarro para transportar os habitantes das aldeias do concelho para a Praça do Município, no centro da vila, onde esteve estacionada a unidade móvel da Ordem dos Enfermeiros.

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